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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 162

— Eu sei. — Abel lembrou-se do dia em que planejava se declarar para Julieta. De repente, não conseguia mais contatá-la. Procurou por toda parte e só à noite soube, pela colega de quarto dela, que ela havia ido para o exterior.

Foi embora sem dizer uma palavra.

Nem sequer deixou um bilhete.

No dia anterior à declaração, eles estavam em um karaokê com amigos. Julieta havia adormecido em seu colo e, em meio ao barulho e à música, segurou a mão dele discretamente, roçando os lábios em seu polegar.

O coração dele disparou naquele momento.

No dia seguinte, Julieta desapareceu, e seu coração despencou no abismo.

Mas depois, quando Julieta voltou a fazer contato, ele a perdoou. Viajava para o exterior todos os anos só para celebrar o aniversário dela.

Nesses anos todos, ele investiu muito nela, emocional e financeiramente.

Percebendo a hesitação dele, Julieta aproveitou o momento, com os olhos marejados:

— Abel, não me deixe. Você disse uma vez que nunca me deixaria.

— Se você me deixar, o que será de mim? Abel, eu só amei você, e você foi o único homem na minha vida.

Abel apertou o volante com força.

Naquela vez em que ela ficou bêbada...

— Eu nunca vou amar outro homem. Se você está preocupado que o nosso relacionamento possa me prejudicar...

— Não é se. — disse Abel com gravidade. — Vai prejudicar você.

— Eu não me importo! — Na verdade, Julieta se importava muito, mas se não aguentasse agora, acabaria se afastando de Abel para sempre.

Já que não conseguia destruir o casamento dele pelo lado de Abel, teria que atacar pelo lado de Inês.

Ela duvidava que Inês suportaria para sempre a traição do marido.

Ao ver o olhar obstinado de Julieta, o coração de Abel amoleceu.

— Julieta.

— Estou aqui, Abel. Vou estar sempre ao seu lado, nunca vou te deixar. — disse ela, deixando cair mais uma lágrima quente.

Abel enxugou a lágrima dela e repetiu a frase:

— Me dê um tempo.

— E o que mais?

Será que Mariana a entregou?

— O que mais o quê? — perguntou Abel.

Julieta abriu os lábios:

— Quero dizer, o que aconteceu depois?

— Eu briguei com a Mariana. — Abel olhou na direção da Mansão Oliveira. — A Inês não quer me ver. Antes de saber a verdade, eu ainda pedi para ela pedir desculpas à Mariana. Eu errei feio com ela.

Abel estava, de fato, começando a sentir culpa em relação a Inês.

Dessa vez, o tiro saiu pela culatra.

— Abel, não fique triste. A Inês é cunhada da Mariana, ela não vai guardar rancor. Família não guarda mágoa de um dia para o outro. — Julieta o consolava, mas não perdia a chance de semear a discórdia. — O que a Mariana fez foi errado, sim, mas não a culpe tanto. Ainda bem que nada aconteceu com a Inês. Falando nisso, temos que agradecer ao Diretor Simões.

— Naquela situação, o Diretor Simões conseguiu encontrar a Inês com precisão, tirá-la de lá e levá-la para a clínica.

— Será que o Diretor Simões não sente algo pela Inês...

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