No entanto, o mais provável era que Lucinda estivesse ali por causa de Rodrigo.
...
Cidade Alvorecer.
Rodrigo tirou um print do endereço que Inês enviou e o encaminhou para Alice.
Sem escrever uma única palavra, Alice entendeu imediatamente e enviou uma mensagem de voz.
— Infantil.
— Sentiu o golpe.
— Você que sentiu! Sentiu feio! Sentiu horrores!
Rodrigo abaixou o celular e chamou Noel e seus dois secretários.
— Vou precisar ir à Cidade GIO. Mantenham os detalhes da viagem em sigilo. Qualquer coisa, me enviem por e-mail, e todas as reuniões presenciais passarão a ser online.
Ele também instruiu Noel:
— Fique de olho nos movimentos do lado do Abel.
Noel respondeu:
— Entendido.
Após dar as ordens, Rodrigo ligou para a irmã, mas a linha estava ocupada.
Pouco depois, Alice retornou a ligação.
— Você foi possuído? Me ligando assim do nada.
Sabendo que ela estava conversando com Inês instantes antes, Rodrigo avisou diretamente:
— Minha ida à Cidade GIO é um segredo absoluto. Não conte a ninguém.
Ao ouvir o tom sério do irmão, Alice obedeceu na mesma hora:
— Entendido!
— Hum. — Rodrigo desligou e começou a se preparar para a viagem, sem levar muita coisa.
Ele não tinha o costume de carregar malas grandes; primeiro, porque tinha secretários para ajudá-lo em viagens a trabalho, e segundo, porque podia comprar o que precisasse.
Rodrigo desembarcou no aeroporto da capital da província de Cidade GIO. O Cullinan que Esther havia alugado já o aguardava.
Ele dispensou o motorista.
Ligou o GPS e dirigiu por duas horas e meia.
Inês recebeu o compartilhamento de rota de Rodrigo e, ao mesmo tempo, verificava as informações que Dra. Barros havia passado sobre o paradeiro de Mike: como chegariam lá, as opções de transporte, hospedagem e outras questões.
Para ela, qualquer coisa servia, sua principal preocupação era o conforto de Rodrigo.
Após organizar tudo, foi conversar um pouco com os funcionários mais velhos.
Como eram pessoas de casa, Inês foi direto ao ponto:
— O que aquela fotógrafa que chegou recentemente tem perguntado a vocês?
O porteiro, a cozinheira, a inspetora e a cuidadora do berçário... Tudo o que eles relataram girava em torno de dois pontos.
O primeiro era a história do orfanato, e o segundo era se o orfanato havia revelado alguma figura famosa ou bem-sucedida, alguém que tivesse aparecido nas notícias, por exemplo.
A maioria falava apenas sobre o primeiro ponto e negava o segundo.
Apenas a cuidadora do berçário disse:
— Eu falei de você. A Dra. Barros me mostrou uma reportagem sua há um tempo e até pediu que eu lesse para as crianças. Pensei que, como suas histórias costumavam ser segredo, mas agora saíam em público, não haveria problema em contar. Acabei não me segurando e falei.
Inês franziu a testa.
— Quando a senhora falou isso?
— Há uns três dias.
— Três dias atrás... — Então, quando Lucinda a cumprimentou pela manhã dizendo que não imaginava que ela tivesse crescido ali, o que aquilo significava?
Para evitar mal-entendidos, Inês fez mais algumas perguntas detalhadas.

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