Olívia Bianchi –
Eu o encarei fixamente, mas contive minhas palavras.
—Certo!
—Certo? O que tem de certo? – Perguntou Archie me olhando confuso.
—Você acabou de dizer que se eu fizer o que você mandar não me machucarei mais. Acho que ser empurrada da escada não foi um acidente e você também sabe disso. Qual será o próximo passo? Aron? – Perguntei irritada respirando fundo. —Eu não vou esperar para ver, vamos embora com você!
Archie então, soltou um riso e abriu a porta do carro para mim, esperando que eu entrasse para ir até o outro lado.
Ficamos em silêncio até chegarmos em frente a minha casa; ele fez questão de me trazer e eu confesso que achei aquilo um tanto desnecessário, mas não me opus.
—Obrigada! – Falei ameaçando abrir a porta, mas senti ele tocar meu braço.
—Olívia não pense demais. Eu só estou fazendo isso por Aron. E querendo ou não, ele vai precisar de uma mãe por perto. Por isso, acho que fez uma boa escolha. – Disse ele me olhando fixamente.
—Tudo bem! Estou aceitando por ele também! – Falei saindo do carro apressada e ao entrar na casa e ter a certeza de que ele havia ido embora, soltei um grito de raiva.
—Minha nossa, o que houve? – Perguntou minha avó me encarando assustada.
Eu então, respirei fundo e apontei para fora.
—Eu o odeio! Eu definitivamente odeio esse homem. Por que ele tem que ser tão instável? Tem horas que penso que nada mudou, mas tem horas que quero esbofeteá-lo! – Gritei vendo-a olhar para a minha perna e abrir os olhos mais do que o normal, mostrando-se assustada.
—Filha o que houve? – Perguntou ela se aproximando.
—Vovó, foi um acidente. – Respondi tentando me acalmar para não a assustar ainda mais. —Eu tropecei na escada e Archie...
Antes que eu continuasse, ela me encarou nos olhos e enrugou a testa.
—Ele fez isso?
—Não, ele foi quem me levou ao médico. – Falei mandando até a cozinha para me sentar. —Mas eu ainda o odeio tá!
—Claro! Eu não disse nada. – Respondeu a mais velha me trazendo um copo de água. —Aron dormiu cedo. Ele estava perguntando de você.
—Eu o prometi ir ao parque, me sinto uma péssima mãe! – Falei respirando fundo mostrando minha insatisfação.
—Há algo a mais acontecendo? - Perguntou ela, se sentando ao meu lado e mostrando sua preocupação.
—É que, talvez tenhamos que voltar para Grey City vovó! – Falei com um timbre tristonho, mostrando que aquilo não era o que eu queria.
Aquela senhora se dedicou anos da vida dela para cuidar de mim e agora do meu filho, ela merecia e precisava ser feliz. E para falar a verdade, eu conhecia aquele homem na foto.
Ele era um bom vizinho, simpático e atencioso. Tenho certeza de que ela estaria em boas mãos.
Me levantei e fui até o quarto de Aron para o dar um beijo e acabei ficando mais um tempo ao lado dele o acariciando. Eu não queria acreditar que os traços fortes do pai dele existiam no pequeno, principalmente a inteligência e personalidade.
Respirei fundo enquanto o afanava os cabelos e então o vi se mexer.
—Será por você filho! – Cochichei o cobrindo e então, voltei a acariciá-lo.
Eu nem percebi o tempo passar e acabei adormecendo ao lado do pequeno. Assim que despertei, vi Aron sentado sobre a cama me encarando.
—Bom dia meu amor, o que houve? – Perguntei me sentando e segurando as mãos dele para o deixar confortável.
E então, o pequeno respirou fundo de uma forma que dava para notar seus sentimentos profundos. Aquilo me assustou, confesso.
—Mamãe, eu estava no parquinho com a vovó e os meninos começaram a me deixar de lado.
—Por que fizeram isso? – Questionei tentando conter meu nervosismo.
—Disseram que sou adotado e não tenho pai. É verdade isso?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: DE REPENTE 30 e o presente foi um filho para o meu chefe.