E quem diria, ela realmente abriu.
Cherry esperava por suas mensagens o tempo todo.
A resposta dela era sempre neutra.
Decepcionada tantas vezes, Cherry só conseguia achar pequenas oportunidades em meio ao caos.
— Tudo bem, Srta. Sheila, é só mandar.
Quando estava quase desligando, Sheila parou Cherry.
— Cancele e encerre todas as contas que transferiam dinheiro para Valentina.
Cherry segurava o celular com a mão extremamente fina e branquíssima, as mãos tremendo levemente.
Até a sua voz perdeu a firmeza.
Achou que estava ouvindo coisas.
— O que a senhorita quer dizer?
Sheila disse friamente: — O dinheiro que eu ganhei, por que devo dar aos outros?
Houve um tumulto no outro lado da linha, e Sheila ouviu um estrondo abafado.
Como se algo tivesse caído.
Além de Sheila, todos no Solaris notaram algo diferente no ar.
Helder acompanhou Valentina até o hospital e não voltou mais para a empresa.
Sheila saiu do trabalho como de costume.
Notou que quase todos os colegas a evitavam.
Como se ela fosse a praga.
À noite, depois de pegar Lívia e levá-la para casa, Sheila recebeu uma mensagem no celular.
Era de Priscila.
— O Sr. Cavalcanti já sabe que você brigou com a Sra. Cavalcanti hoje. Sheila, espere pela sua demissão.
Sheila zombou de lado, virou a tela do celular para baixo na mesa e foi jantar com Lívia e ajudá-la na lição de casa.
A atitude de Rosa em relação a Sheila mudava nitidamente a cada dia.
Sheila percebia que ela estava muito mais respeitosa.
Depois que Lívia tomou banho, ela leu uma história de ninar.
Olhando o rosto adormecido da filha à luz do abajur, o coração de Sheila encheu-se de carinho.
Anos atrás, a sua mãe também era assim.
Ficava quieta com ela todos os dias, vendo-a dormir.
Apesar de não lembrar de ter engravidado de Lívia.

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