Sheila mal conseguia reconhecer a Lara de agora. Aquela ainda era a tia que tanto a amava no passado?
Só de mencionar Lara, Dona Olga ficava irritada.
— Não dê ouvidos a ela, ignore tudo que ela diz. Eles te trataram bem porque prometi que, se eles te criassem até você se tornar adulta, no futuro eu transferiria todas as minhas ações para eles.
É uma pena que o seu tio seja uma decepção. Ele tem capacidade para administrar a empresa, mas não consegue largar o maldito vício do jogo.
Como eu poderia ter a coragem de entregar o restante das ações da família Valente para ele? Se ele perdesse a cabeça jogando, arruinaria nossa família inteira.
Este é o império construído pelo seu avô e bisavô. O seu pai deu o sangue pela família Valente quando estava vivo. Eu não poderia deixar nas mãos dele.
Dona Olga olhou para Sheila com uma expressão firme.
— Sheila, faça a vovó sentir orgulho. O futuro da nossa família Valente depende de você. Não deixe nada da família cair nas mãos daqueles ingratos do seu tio.
O corpo de Sheila balançou, sem acreditar no que acabara de ouvir.
Cinco anos se passaram e, além das mudanças nas pessoas ao redor, até mesmo aqueles que a amavam no passado tinham segundas intenções.
Ela olhou para a avó com sentimentos confusos no coração.
Quando finalmente recuperou os sentidos, Sheila prometeu a Dona Olga.
— Vovó, fique tranquila. Eu vou proteger tudo o que é da família Valente e recuperar o que é meu. Eu não vou deixar você morar sozinha aqui. Quando chegar a hora, vou levá-la para morar comigo. Sem precisar depender de ninguém, nem deixar ninguém te ofender mais.
A imagem ameaçadora de Lara havia se tornado um pesadelo na cabeça dela.
Como ela poderia aceitar que uma mulher que era tão gentil e virtuosa em sua memória fosse, na verdade, uma pessoa falsa e de duas caras?
— A vovó acredita em você.
Dona Olga chorava de alegria.

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