Sheila continuou ao lado de Lívia.
Menos de meia hora depois de voltarem para casa, Lívia finalmente acordou.
— Mamãe...
Assim que abriu os olhos e viu Sheila, Lívia correu para os braços dela.
Todo o medo de antes desapareceu.
A mãe não mentiu. Ela não a tinha entregado para a assustadora da tia Valentina.
A mãe a amava.
Lívia estava muito feliz.
Sheila examinou o corpo de Lívia rapidamente.
— Para onde te levaram? O que eles te fizeram? Está se sentindo mal? Conta para mim. Se alguém machucou você, eu não vou deixar isso barato.
Lívia fungou e balançou a cabeça, segurando firme em Sheila.
— Fui levada, dormi e não sei de mais nada. Mas eu sei que a mamãe gosta muito de mim.
Desde que Lívia conseguia lembrar, ela achava que a mãe, assim como o pai, não gostava muito dela.
Mas parecia que a mãe precisava dela para algumas coisas.
A mãe saía com ela, fazia tranças bonitas e a vestia com roupas belas.
Mas nunca a levava para comer lanches deliciosos, nem para brincar em parques de diversão.
As refeições dela eram estritamente controladas todos os dias.
Eram só coisas que ela não gostava, mas Rosa dizia que eram alimentos nutritivos.
Quando ela via outras crianças se divertindo com seus pais.
E ela, que nunca tinha nem comido com o pai.
A mãe também nunca era muito carinhosa com ela.
Lívia achava que era porque não se comportava bem, e por isso os pais não gostavam dela.
Mas a mãe havia mudado muito.
Até a protegeu na frente do irmão da tia Valentina.
Antes, a mãe nunca fazia isso.
Ela via o menino machucando-a e não dizia nada.
E até a criticava severamente.
Mas Lívia não sabia onde tinha errado.
Lívia abraçou o pescoço de Sheila, chorando e rindo ao mesmo tempo.
A mãe estava protegendo ela.

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