No dia seguinte
Sheila acordou bem cedo para falar com Rosa.-
— A senhora foi trazida de volta ontem. Teve um breve coma, mas o médico disse que não havia nada de grave.
O patrão mandou fazerem um check-up completo e é apenas uma concussão leve. O médico não mencionou nada sobre perda de memória, tem certeza de que não se lembra de nada?
Rosa a observou com suspeita, não acreditando em nada do que ela dizia.
— Quando foi que eu me casei com o Sr. Cavalcanti?
Ela sentou-se no sofá, muito nervosa.
Naquela casa, ela não tinha a menor presença, muito menos a sensação de ter uma filha com Helder.
As suspeitas de Rosa aumentaram.
— A senhora casou com o patrão há cinco anos, e a senhorita Lívia tem quatro anos agora.
Sheila franziu o cenho, isso não poderia ser verdade.
Era para hoje ser o dia do casamento de Helder e Valentina, mas ela já estava casada com ele há cinco anos?
Passos soaram da escada e Helder desceu vestido de forma elegante, usando uma camisa branca, com o paletó preto apoiado no braço.
Sheila olhou para Helder com atenção e percebeu que, comparado com há cinco anos, o Helder à sua frente realmente tinha um ar mais caseiro de marido.
Helder passou por ela exatamente como Sheila lembrava.
Seu olhar não parou sobre ela.
Mesmo com sua beleza já sendo conhecida por toda a alta sociedade da Elite de Nova Alvorada.
— Cunhado...
Ela o chamou de novo, e Helder parou de leve, virando o rosto um pouco para Sheila, como se só a tivesse notado naquele instante.
Rosa espiou o Sr. Cavalcanti e notou que o rosto dele havia fechado na hora.
Rosa ficou tão assustada que não se atreveu a dizer nada; Helder voltou a olhar para a frente, preparando-se para ir à sala de jantar.
— Querido?
Com a palavra de Sheila, o susto de Rosa se transformou em diversão.
Ela riu em voz alta e rapidamente cobriu a boca.
A primeira lembrança que teve com ele foi uma noite íntima.
Rosa tinha lhe dado a pílula do dia seguinte.
Sheila não entendia o que estava acontecendo entre ela e Helder, mas pegou o comprimido e o engoliu sem hesitar com a água.
Um traço de surpresa passou pelos olhos de Rosa.
No passado, ao tomar o remédio, ela sempre fazia uma cara de dor, mas hoje foi muito rápida.
Rosa conferiu o relógio e, notando que Sheila não pretendia sair, lembrou-lhe.
— Senhora, você deveria levar a pequena para a escola.
Sheila ainda não tinha se acostumado com o fato de ter uma filha. Lívia desceu as escadas com a sua mochilinha nas costas e caminhou obedientemente até ela para segurar a sua mão.
Sheila abaixou os olhos e observou a garotinha perfumada; ela era tão pequenina e fofa.
— Lívia... Cavalcanti?
Ela a chamou suavemente pelo nome, e Lívia ficou confusa e balançou a cabeça.
— A mamãe falou errado. Eu não sou Lívia Cavalcanti, meu nome é Lívia Valente. Foi a mamãe quem escolheu o meu nome, porque a mamãe gosta muito de lírios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois da Amnésia, Abandonei o Marido Frio