Sheila franziu o cenho. A filha que ela teve com Helder não usava o sobrenome dele, mas o dela, Valente?
O tempo estava curto e não deu para pensar muito; o motorista já havia trazido o carro para a porta de casa.-
Lívia sentou-se com ela no banco de trás, e a pequenina parecia muito alegre.
— Tchau, mamãe. Mua—
Ao chegar à escola, mandou um beijo no ar para Sheila e entrou obedientemente acompanhada pela professora.
Sheila ainda estava distraída, e o motorista simplesmente foi embora com o carro.
Quando Sheila se deu conta, descobriu que estava sozinha.
Quando pensou em ligar para o motorista, outra chamada atendeu automaticamente no celular.
Na tela apareceu o contato: Sr. Oliveira.
Sheila atendeu com desconfiança e um rugido abafado soou do outro lado.
— Sra. Valente, onde você se meteu? A reunião da manhã vai começar a qualquer momento, e o Sr. Cavalcanti já está no seu escritório. É impressionante, até agora ninguém a viu.
Sheila ficou paralisada.
Essa pessoa estava falando com ela? Ela tinha um emprego?
E era secretária.
Não fazia ideia de qual era o seu local de trabalho.
Depois que o homem terminou de xingar, Sheila finalmente encontrou a chance de falar e apressou-se em dizer.
— Fui levar minha filha para a escola, Sr. Oliveira. É a primeira vez que ando de ônibus, será que você pode me dizer em qual ponto a empresa fica?
O Sr. Oliveira do outro lado hesitou, e logo, um tom de zombaria veio pelo celular.
— Linha 16, é só descer no Grupo Solaris.
Depois de dizer isso, e sem saber o motivo, o Sr. Oliveira adotou um tom de deboche.
— Pelo visto a Sra. Valente não costuma vir trabalhar de ônibus. A condição na sua casa deve ser muito boa.
Ao ver que era Helder, a mente de Sheila zumbiu.
O mundo era pequeno; ela era a esposa dele, então como acabou trabalhando como secretária na própria empresa dele?
Além disso, pela atitude de todos na empresa, parecia que ninguém conhecia a sua verdadeira identidade.
— Vamos começar a reunião.
O rosto indiferente de Helder olhou fixamente para a frente e não olhou para Sheila de jeito nenhum.
A ampla sala de conferências mergulhou num silêncio absoluto, típico de uma reunião presidencial, com apenas a voz ensurdecedora de Helder soando.
— Cronograma da reunião.
Mais uma vez, uma voz profunda e cheia de autoridade ressoou. Ocasionalmente, Sheila espiava Helder; ele permanecia nobre e distante. Não havia ninguém nos olhos dele, muito menos ela.
Se ela soubesse que o presidente da empresa era Helder, ela não teria vindo.
— Sra. Valente... O presidente está chamando você.

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