Helder encarou André Soares: — Vá.
Com apenas uma palavra, André imediatamente assumiu novamente o papel de detetive.
Sheila chegou à casa de três andares de Augusto Valente.
Era primavera e as plantas no jardim começavam a brotar. Sheila sentiu que nada havia mudado, mas ao mesmo tempo havia algo de diferente.
Ela parou na frente da porta, hesitando em tocar a campainha.
Não havia ligado para o tio antes de ir, e agora não sabia se estava sendo invasiva.
Enquanto hesitava, um homem alto, vestindo uma roupa de ficar em casa bege, a viu e ficou paralisado por um momento.
— Sheila?
Augusto não esperava que ela aparecesse àquela hora.
Sheila entregou alguns presentes que havia comprado, com os olhos ligeiramente marejados.
— Tio.
— Como você veio parar aqui? Entre logo. A sua Tia Lara acabou de fazer algumas comidas, vou pedir para ela preparar os pratos que você gosta.
Augusto a recebeu de braços abertos.
Lara Valente tinha acabado de sentar na sala de jantar e seu rosto mudou ao ouvir a voz de Sheila.
— Lara, vá fazer mais uns pratos que a Sheila gosta.
Lara viu o rosto feliz de Sheila ao chamá-la de "Tia Lara", e sua expressão ficou péssima.
Lançou com frieza: — Eu nem ouso.
Sheila congelou, e Augusto, meio sem jeito, tentou fazer sinal para Lara.
Muito a contragosto, Lara foi para a cozinha. No segundo andar, Lorena Valente, a filha de Augusto, desceu as escadas e veio depressa ao ver Sheila.
— Lorena, veja o que eu trouxe para você.
Ao ver que Lorena já não parecia mais uma menina imatura, Sheila finalmente acreditou que cinco anos realmente haviam se passado.
Mas o tio e a tia não pareciam ter mudado.

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