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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 18

O médico disse que somente assim, encarando meus traumas, eu conseguiria arrancar a carne podre e permitir que a ferida cicatrizasse com carne nova e saudável.

Por mais cruel que isso fosse para mim, decidi colaborar ativamente com o tratamento.

Eu não queria, em hipótese alguma, me transformar em uma mulher amargurada e infeliz, marcada para sempre por um casamento fracassado!

Claro que o processo de terapia seria gradual. Não era como se, de uma vez, eu tivesse que expor todas as minhas memórias com Augusto.

Após a primeira sessão, o médico me receitou alguns medicamentos para ansiedade e depressão, pedindo que eu os tomasse regularmente.

Ele também sugeriu que eu e Augusto escolhêssemos juntos um local para enterrar as cinzas da nossa filha. Colocar a pequena caixa no chão seria, segundo ele, não apenas uma forma de honrar a memória da criança, mas também de me dar um encerramento emocional.

Apesar do fracasso do casamento, Augusto seria para sempre o pai da minha filha. Essa era uma verdade que eu não podia mudar.

Minha única e egoísta esperança era que, mesmo que por um breve momento, minha filha pudesse sentir o tipo de amor paternal que Augusto dava a Laís.

Depois de pegar os remédios na farmácia do hospital, voltei para casa.

Para minha surpresa, Augusto estava lá.

O Augusto que eu conhecia passava quase todo o tempo na empresa, com exceção dos momentos em que se isolava na capela da casa para rezar. Nossos encontros se limitavam a algumas palavras trocadas no café da manhã.

Mas, desde que Mônica e Laís vieram morar aqui, ele começou a passar mais tempo em casa. Não era como se ele estivesse tão ocupado a ponto de não poder voltar.

Ao me ver entrar, ele levantou os olhos da revista que estava lendo no sofá e me olhou por um instante.

Instintivamente, escondi a sacola com os remédios atrás de mim. Não queria que ele soubesse que eu estava fazendo tratamento psicológico.

No entanto, subestimei o quanto eu havia perdido qualquer importância para ele. Mesmo tendo visto a sacola com o nome do hospital, Augusto sequer se incomodou em perguntar que remédios eram ou por que eu os tomava.

Lembrei-me das palavras do psicólogo e do que ele havia sugerido. Fiquei parada ali, encarando Augusto, tentando reunir coragem para falar sobre o enterro da nossa filha.

— Você tem algo para me dizer?

Ele finalmente quebrou o silêncio. Colocou a revista de lado e me olhou com uma expressão que, por um breve momento, pareceu genuinamente interessada.

Antes que eu pudesse responder, Ana entrou na sala com uma tigela de sopa de trufas brancas e disse com um sorriso caloroso:

— Sra. Moretti, esta é uma sopa de trufas brancas raríssimas. O Sr. Augusto pediu que eu a preparasse especialmente para a senhora. É ótima para sua saúde!

Eu sabia que Ana tinha boas intenções. Ela provavelmente queria criar um momento de reconciliação entre mim e Augusto. Mas eu odiava essa sensação de que tudo o que eu comia ou bebia vinha das migalhas que Augusto “gentilmente” me concedia.

Augusto, como se reforçasse o gesto, disse de forma breve:

Capítulo 18 1

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