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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 17

Augusto me lançou um olhar de reprovação e disse:

— Laís é só uma criança. O que ela fala realmente vale a pena você levar a sério?

Ele não repreendeu a filha, mas a colocou de volta em seu colo e começou a alimentá-la pessoalmente, como se nada tivesse acontecido.

Mônica esboçou um sorriso calculado, mas de uma delicadeza fingida, e comentou:

— Débora, acho que Laís tem assistido muita televisão ultimamente. Não leve isso tão a sério. Ah, e por falar nisso, aquela trufa branca caríssima que o Augusto comprou… Eu adorei. Então, guardei um pouco para você. Mais tarde, peço à Ana que leve até o seu quarto.

Eu retribuí o sorriso dela com o mesmo tom falso e respondi:

— Não precisa. Eu não costumo comer sobras. Não sou como você, que não parece se importar.

Depois de dizer isso, segurei as sacolas com os utensílios de cozinha que havia comprado e fui para o meu quarto.

Eu mesma preparei minha refeição. Fiz um espaguete com molho de carne, presunto e queijo. O aroma era delicioso, e o sabor ainda melhor.

Depois do jantar, minha mente voltou a pensar no que Lúcia havia me dito aquele dia.

Como eu poderia investigar o patrimônio de Augusto? E como provar que Laís era mesmo filha dele com Mônica?

Colocando os pensamentos em ordem, percebi que a segunda questão seria mais fácil de resolver. Afinal, morando na mesma casa que eles, eu teria muitas oportunidades de conseguir amostras de cabelo para um teste de DNA.

Já descobrir o patrimônio de Augusto era um desafio maior. Pesquisei vários casos de divórcio na internet, mas nenhum parecia se aplicar à nossa situação.

Eu sabia que o divórcio não seria resolvido da noite para o dia. Era preciso paciência e estratégia.

Então, tomei um banho, pronta para deixar esses pensamentos para o dia seguinte.

No entanto, assim que encostei a cabeça no travesseiro, fui interrompida pelo som de latidos vindos do jardim da mansão.

Sempre tive o sono leve. Antes, até os passos de Augusto indo ao banheiro durante a madrugada eram suficientes para me acordar.

Os latidos eram incessantes, altos e irritantes, causando-me uma dor de cabeça.

Sempre que fechava os olhos, era como se fosse transportada de volta ao dia em que tive o natimorto. Lembro-me de chorar desesperadamente, implorando para ver minha filha, mas me disseram que Augusto, preocupado com o meu estado emocional, já havia enviado o corpo dela para ser cremado.

Por três anos, guardei aquela pequena caixa de cinzas como se fosse a coisa mais preciosa da minha vida.

E agora, até mesmo isso havia sido destruído.

A cena da caixa quebrada continuava a se repetir na minha mente, como um pesadelo sem fim.

Durante o dia, a insônia me deixava exausta. Eu me arrastava pela casa, sem energia para nada e mergulhada em um estado de tristeza constante.

Foi então que percebi que algo estava seriamente errado comigo.

Para confirmar minhas suspeitas, marquei uma consulta com um psiquiatra.

Depois de ouvir meu relato, o médico me explicou que eu estava sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático. Ele me alertou que, sem tratamento psicológico adequado, isso poderia evoluir para uma depressão severa.

Mas o que me surpreendeu foi o método de tratamento sugerido pelo médico: ele chamou de “dessensibilização”. Consistia em enfrentar os traumas diretamente, falando sobre as coisas que eu não queria lembrar, as pessoas que eu preferia esquecer e os momentos que agora contrastavam tão dolorosamente com a realidade atual.

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