Augusto me lançou um olhar de reprovação e disse:
— Laís é só uma criança. O que ela fala realmente vale a pena você levar a sério?
Ele não repreendeu a filha, mas a colocou de volta em seu colo e começou a alimentá-la pessoalmente, como se nada tivesse acontecido.
Mônica esboçou um sorriso calculado, mas de uma delicadeza fingida, e comentou:
— Débora, acho que Laís tem assistido muita televisão ultimamente. Não leve isso tão a sério. Ah, e por falar nisso, aquela trufa branca caríssima que o Augusto comprou… Eu adorei. Então, guardei um pouco para você. Mais tarde, peço à Ana que leve até o seu quarto.
Eu retribuí o sorriso dela com o mesmo tom falso e respondi:
— Não precisa. Eu não costumo comer sobras. Não sou como você, que não parece se importar.
Depois de dizer isso, segurei as sacolas com os utensílios de cozinha que havia comprado e fui para o meu quarto.
Eu mesma preparei minha refeição. Fiz um espaguete com molho de carne, presunto e queijo. O aroma era delicioso, e o sabor ainda melhor.
Depois do jantar, minha mente voltou a pensar no que Lúcia havia me dito aquele dia.
Como eu poderia investigar o patrimônio de Augusto? E como provar que Laís era mesmo filha dele com Mônica?
Colocando os pensamentos em ordem, percebi que a segunda questão seria mais fácil de resolver. Afinal, morando na mesma casa que eles, eu teria muitas oportunidades de conseguir amostras de cabelo para um teste de DNA.
Já descobrir o patrimônio de Augusto era um desafio maior. Pesquisei vários casos de divórcio na internet, mas nenhum parecia se aplicar à nossa situação.
Eu sabia que o divórcio não seria resolvido da noite para o dia. Era preciso paciência e estratégia.
Então, tomei um banho, pronta para deixar esses pensamentos para o dia seguinte.
No entanto, assim que encostei a cabeça no travesseiro, fui interrompida pelo som de latidos vindos do jardim da mansão.
Sempre tive o sono leve. Antes, até os passos de Augusto indo ao banheiro durante a madrugada eram suficientes para me acordar.
Os latidos eram incessantes, altos e irritantes, causando-me uma dor de cabeça.
Sempre que fechava os olhos, era como se fosse transportada de volta ao dia em que tive o natimorto. Lembro-me de chorar desesperadamente, implorando para ver minha filha, mas me disseram que Augusto, preocupado com o meu estado emocional, já havia enviado o corpo dela para ser cremado.
Por três anos, guardei aquela pequena caixa de cinzas como se fosse a coisa mais preciosa da minha vida.
E agora, até mesmo isso havia sido destruído.
A cena da caixa quebrada continuava a se repetir na minha mente, como um pesadelo sem fim.
Durante o dia, a insônia me deixava exausta. Eu me arrastava pela casa, sem energia para nada e mergulhada em um estado de tristeza constante.
Foi então que percebi que algo estava seriamente errado comigo.
Para confirmar minhas suspeitas, marquei uma consulta com um psiquiatra.
Depois de ouvir meu relato, o médico me explicou que eu estava sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático. Ele me alertou que, sem tratamento psicológico adequado, isso poderia evoluir para uma depressão severa.
Mas o que me surpreendeu foi o método de tratamento sugerido pelo médico: ele chamou de “dessensibilização”. Consistia em enfrentar os traumas diretamente, falando sobre as coisas que eu não queria lembrar, as pessoas que eu preferia esquecer e os momentos que agora contrastavam tão dolorosamente com a realidade atual.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...