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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 8

Eu estava realmente decidida: na segunda-feira, eu reviraria a Aurora Entretenimento de ponta a ponta para descobrir quem era o traidor.

Mas, para minha surpresa, no dia seguinte, recebi um telefonema da diretoria da empresa:

— Débora, por causa daquele vazamento envolvendo a Mônica, os investidores retiraram o apoio. A situação está complicada, não temos nem como pagar os salários. Lamentamos, mas você não precisa vir trabalhar hoje.

Eu fiquei paralisada, segurando o celular por um longo tempo, sem reação.

Lembrei-me de como, anos atrás, logo que me formei na faculdade, aceitei o pedido de casamento de Augusto e logo engravidei.

Eu tinha a chance de trabalhar em uma grande redação jornalística, mas minha candidatura foi recusada. Na época, Augusto me abraçou com carinho e disse:

— Débora, não fique triste. Eu posso investir na empresa deles, assim ninguém se atreverá a te rejeitar.

Eu não aceitei. Não queria ser conhecida como alguém que só conseguia as coisas por causa de influências. Então escolhi entrar no setor de mídia de entretenimento, um meio repleto de intrigas e disputas. Três anos depois, me tornei a editora-chefe com o melhor desempenho da equipe, mas agora estava sendo demitida por um motivo tão absurdo.

O mesmo homem que, no passado, estava disposto a gastar fortunas para que eu conseguisse meu emprego dos sonhos era, agora, o responsável por eu perder meu trabalho.

Amar e deixar de amar... Tão evidente. Como os sentimentos podem mudar a ponto de alguém se tornar irreconhecível.

Saí do quarto apressada e fui até a pequena capela da casa.

Augusto estava lá, ajoelhado em um dos bancos acolchoados, com as pernas longas e elegantes dobradas de forma impecável. Ele segurava um rosário nas mãos, murmurando uma oração.

Eu costumava amar esse lado dele, essa postura sóbria, quase divina, que o fazia parecer intocável, acima de qualquer coisa terrena. Por causa de sua fé, aceitei tantas regras rígidas sem jamais reclamar.

Mas, naquele momento, toda aquela admiração havia desaparecido.

Aproximei-me, arranquei o rosário de suas mãos e perguntei:

— É isso que a sua fé te ensina? A tratar sua esposa dessa forma? Quem te deu o direito de interferir no meu trabalho?

Augusto, interrompido no meio da oração, franziu levemente a testa.

— Um trabalho medíocre como esse? É melhor você deixar para lá. Se precisa de dinheiro, eu te dou.

Medíocre?

Eu passei noites em claro para escrever reportagens. Corri atrás de fontes e oportunidades para conquistar minhas promoções. Tudo isso era fruto do meu esforço. Agora ele achava que podia simplesmente decidir o que era ou não digno de mim?

Com as mãos cerradas de raiva, eu retruquei:

— Sobre o vazamento das fotos da Mônica, é bom você investigar direito. Eu não vou carregar essa culpa sozinha!

Augusto abaixou o olhar e respondeu com frieza:

— Mônica já decidiu não levar isso adiante. Você deveria fazer o mesmo.

Mas eu me recusei:

— Ela não quer levar adiante ou não tem coragem? Por acaso ela tem medo de alguém descobrir que foi tudo uma armação dela? Augusto, será que você perdeu completamente o juízo por causa dela?

Augusto estreitou os olhos, irritado:

Desde pequena, sofro de anemia ferropriva. Os médicos sempre me disseram que, além de remédios, eu deveria consumir alimentos ricos em ferro, como carne magra, fígado de galinha e feijão preto.

Mas, para seguir as regras de Augusto, cheguei ao ponto de quase desmaiar de fraqueza. Ele apenas mandava o médico aplicar soro, sem nunca permitir que eu quebrasse sua rígida dieta vegetariana.

E, no final, o que eu ganhei com isso?

Quando minha comida chegou, o almoço da casa também já estava pronto.

O chef de cozinha vegetariana, contratado a peso de ouro por Augusto, havia preparado tudo pessoalmente e estava apresentando o cardápio com entusiasmo.

Quando me viu entrar, Augusto disse ao chef:

— Muito profissional. A partir de agora, contamos com você.

Era óbvio que ele estava dizendo isso para me provocar.

Na mesa, as posições permaneciam as mesmas: Augusto na cabeceira, Mônica e Laís em cada lado, deixando claro que eu era apenas uma observadora.

Mas, dessa vez, eu não fiz como ontem, quando me vi obrigada a sentar ao lado daquela garotinha só para conseguir alcançar a comida. Com toda a calma do mundo, peguei o que estava na minha mão e fui direto para a outra ponta da mesa.

Por mais que houvesse muitos pratos na mesa, todos eram vegetarianos. Eu já não tinha o menor interesse em tocar naquilo. Depois de tanto tempo, finalmente tinha carne de verdade na minha frente!

Inicialmente, Mônica me lançou um olhar provocador, como se quisesse dizer que tinha vencido, que já tinha me excluído completamente daquele cenário.

Mas seu semblante mudou no instante em que, na frente de todos, abri lentamente os pacotes que estavam comigo, revelando o aroma irresistível de um bife suculento, foie gras e pizza.

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