Bárbara
Durante a noite, minha cabeça não parou de girar pensando na proposta do Ricardo. Sinceramente, a convivência com ele tem mexido comigo de uma forma que nunca imaginei. Sabe aquele impulso de querer compartilhar tudo? De contar como foi o dia, de saber sobre o dia dele? Estou assim. E isso não é nada comum para mim. Essa sensação de ter alguém sempre por perto, tanto nos momentos bons quanto nos ruins, e de achar a companhia dele tão agradável… está me deixando confusa.
Sim, admito: estou sendo uma boba. Mas também sou esperta, sempre fui. E é aí que mora o problema. Não tenho medo do que o Ricardo possa fazer comigo; confio nele. Ele é diferente desses caras com quem já fiquei, que nunca mais quis ver ou que sabiam que não passariam disso. Meu receio é comigo mesma. Tenho medo de me apegar, de me perder. Nunca fui esse tipo de pessoa. Sempre tive controle. Agora, com ele, sinto como se algo estivesse prestes a mudar, e isso me deixa insegura.
O Ricardo nunca foi só "o amigo gostoso do meu irmão" para mim, embora isso seja inegavelmente verdade. Sempre o vi como um cara fiel, leal ao Henry. Por isso, sempre me senti à vontade para brincar, dar selinhos, chamá-lo de gato, de gostoso… tudo com carinho, mas sem segundas intenções. Era seguro. Na minha cabeça, nunca, jamais, rolaria algo entre nós. Só que agora, com todo mundo nos cercando, nos incentivando, minha dinâmica com ele mudou. Fico travada perto dele, me esforçando para não agir como uma adolescente apaixonada, boba e sem graça. Odeio me sentir assim.
Enquanto conversávamos, eu na piscina e Melissa sentada na borda molhando os pés, avistei o Lennon chegando de longe. Meu estômago deu um nó. Eu sabia que não deveria ter convidado ele, ainda mais conhecendo a ciumeira do Henry. Mas agora já era. Ele estava ali, e eu precisava lidar com isso da melhor maneira possível. Resolvi dar atenção a ele, nem tanto porque queria, mas para tentar evitar que meu irmão criasse ainda mais caso do que já estava acostumado a fazer.
Só que, por dentro, eu sabia que havia um motivo maior para me sentir desconfortável. Não era só o Henry. Era o Ricardo. E, mais uma vez, tentei empurrar esse pensamento para o fundo da mente, onde ele não pudesse me atrapalhar. Porque, francamente, lidar com isso estava ficando cada vez mais difícil.
Ele veio em nossa direção, parecia já ter avistado o Henry, já que estava sorrindo, mas se aproximou meio intimidado. Lennon tem aquele jeito descontraído e brincalhão, mas era óbvio que o tamanho do meu irmão o deixava nervoso.
— Meninas… bom dia. — Ele se abaixou para cumprimentar Melissa. Saí da piscina para cumprimentá-lo também e, ao fazer isso, percebi Ricardo e Henry nos observando. Henry, é claro, já demonstrava não gostar da situação. Ele gesticulou para que eu afastasse o Lennon da Melissa. Como boa irmã, apontei a língua para ele e dei de ombros. Afinal, Melissa pode ter amigos, e Lennon sempre foi respeitoso.
— Bom dia, gatinho, como vai? — Perguntei, cumprimentando-o com um sorriso.
— Bem mais assustado, não sabia que o parrudo estava aqui. Melissa, esse cara vai me afogar, me defenda. — Ele brincou, fazendo cara de medo.
— Para com isso, Lennon, ele é tranquilo. — Melissa tentou aliviar, mas não parecia convencer muito.
— Sei, vou fingir que ele não me fuzilou com o olhar ao me ver.
— Vem, vou te apresentar a ele. — Melissa tentou puxá-lo, mas ele deu um passo para trás, levantando as mãos.

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