Nesse meio-tempo, vi Cristal dançando a poucos metros de nós. Ela claramente queria chamar atenção e, para piorar, estava mirando diretamente na Melissa, que já não parecia nada confortável com a ousadia. Não passo pano para essas atitudes. Era nítido que ela estava fazendo questão de se exibir.
Não aguentei. Tive que falar.
— O, perna de saracura, vai para a danceteria, fia. Tá estragando minha visão. — Soltei na lata. Henry, Melissa e Ricardo me olharam surpresos, enquanto Lennon caiu na gargalhada.
— Coitada, ela é até jeitosinha. — Ele comentou, tentando aliviar.
— Jeitosinha é o caramba. Tá forçando a barra. — Rebati, enquanto Melissa tentava disfarçar a risada. Não adianta. Cristal pode até ser uma "colega", mas eu não deixo passar. Hoje é dia de paz, e não vou deixar ninguém estragar isso.
— Pega para você, quer que eu te apresente? — Provoco Lennon, que não tira os olhos da Cristal.
— Não, obrigado. — Ele responde rápido demais, mas o nervosismo o entrega. Não me convenceu.
— Mora em São Paulo? — Henry pergunta ao Lennon, tentando puxar conversa. — Responda se sentir à vontade, mas da última vez que ouvi falar, você tinha se mudado para outro país.
Henry está tentando ser cordial, e confesso que até fico surpresa com o tom amigável dele. Lennon parece relaxar um pouco com isso.
— Estou aqui há pouco tempo. Vim para uma rápida viagem, mas volto semana que vem. Estou morando na Holanda agora.
— Tá aí, um país que tenho vontade de conhecer. — Ricardo comenta, interessado, enquanto Henry concorda.
— Também tenho vontade. Ouvi dizer que é incrível. — Henry reforça.
— Na boa, quando quiserem visitar, já têm um guia turístico. Faço questão de mostrar tudo para vocês. — Lennon oferece, com um sorriso sincero.
— Valeu! Penso que, em breve, podemos programar uma viagem. Será bom, não acha, amor? — Henry olha para Melissa com aquele jeito carinhoso que só ele tem.

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