Elisângela
Logo cedo, Eduardo pediu que eu fosse ao seu encontro. Bárbara saiu com Ricardo para o clube, e fiquei feliz ao perceber que eles estão se entendendo bem. Quero o melhor para meus filhos; eles sempre foram e sempre serão minha prioridade. Como Bárbara saiu, não vi motivo para não ir até Eduardo. Ele estava com uma voz aflita e disse que teríamos problemas à vista e precisaríamos saber como lidar. Não vou negar que fiquei nervosa com o tom de sua fala.
Sem imaginar mais nada, pensei que Ricardo, irmão de Eduardo, pudesse ter descoberto nossos encontros, mas não me alarmei, já que Ricardo é prudente e muito cauteloso. Ainda assim, isso me deixa receosa. Não sou uma mulher amedrontada, mal me importo com o que os outros falam ou pensam de mim, mas me importo demais com o julgamento dos meus filhos. Esse é meu maior temor.
Sem muita demora, tomei café da manhã e pedi à secretária do lar que preparasse uma cesta com café da manhã para eu levar ao Eduardo. Ele é muito desleixado com a alimentação; se deixar, vive de lanches, igual à Bárbara. Às vezes, até temo ter encontrado outro filho para cuidar em vez de uma paquera. Mas, que ele tem me feito bem, isso é certo. Sinto-me viva como há muito tempo não me sentia. Penso que toda a minha seriedade em lidar com a vida e o controle sobre meus filhos fizeram com que eu envelhecesse uns dez anos a mais do que tenho. E olha que estou no auge dos meus 53 anos! Mas agia como uma senhora controladora que quer que os filhos realizem seus sonhos de vida, e não os deles próprios.
Estou aprendendo. Demorou, mas finalmente entendi que eles precisam lidar com suas próprias escolhas, e, se quebrarem a cara, será apenas mais uma etapa da vida. Quem nunca errou por fazer algo que não devia? Todos passamos por isso. Eu fiz tudo o que queria na minha vida e sempre acreditei que tinha que controlar meus filhos. Mas, observando-os, percebo que são idênticos a mim: sempre fazem o que querem. Meu erro foi idealizar demais a mim mesma e a eles. Via meus filhos como um modelo de perfeição. Afinal, são lindos, e eu os criei sozinha porque quis. Mas idealizei que seriam perfeitos, e, quando começaram a me desobedecer e se voltar contra mim, cometi o maior erro de uma mãe: em vez de tentar apaziguar, joguei gasolina no fogo. Não é à toa que ambos se distanciaram tanto de mim. Isso me destruiu.
Ao entrar no carro, percebi que tinha cinco chamadas perdidas no celular. Pensei que pudesse ser Eduardo, mas, se fosse ele, seria algo mais sério do que eu imaginava. Quando verifiquei as ligações, era Renata. Só podia ser ela, e até sei o que quer. Quer saber? Não estou nem um pouco disposta a ouvi-la. Preciso, com urgência, conversar com a mãe dela e pedir que aconselhe a filha. Renata costuma ouvir seus pais, e espero que isso ajude a resolver o problema.
Hoje, me sinto mal por ter feito de tudo para que ela se tornasse minha nora. Alimentei uma obsessão minha: ver meu filho casado com ela. Só espero que essa obsessão não tenha se tornado a dela. Até um tempo atrás, Renata não era assim. Agora, está descontrolada, tentando forçar meu filho a ficar com ela. Sei que isso é minha culpa, e agora preciso colocar um freio nisso, pelo bem dela e do meu filho.
Ao sair pelo portão de casa, freiei bruscamente ao perceber que quase bati no carro dela, que bloqueava minha passagem. Ela realmente está desesperada por minha ajuda.
Renata desceu do carro e veio até a minha janela.
— Bom dia, madrinha. Podemos conversar? — Disse ela, enquanto eu abaixava o vidro, já sem paciência, tentando adiar a conversa.
— Bom dia, Renata. Como pode ver, estou de saída. Pode ser outra hora?
— Não, madrinha. É urgente. Preciso que seja agora, por favor. — O semblante dela indicava que realmente precisava falar comigo. Respirei fundo, dei ré no carro e voltei para dentro de casa. Renata entrou com o carro e estacionou na garagem. Estou farta dessa conversa, mas como dar um fim nisso?
Entramos na sala, e eu a convidei a se sentar.

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