Elisângela
Me senti deslocada, passando mal daquela maneira, e ainda mais sem chão ao perceber que Renata não teve um pingo de compaixão para me ajudar, mesmo depois de eu reclamar que não estava enxergando nada. Afinal, nunca fui de me queixar com ninguém sobre o que passo. Pensei que ela fosse me ajudar ao me ver naquele estado, mas estava enganada. Agora, vejo que tenho feito as mudanças certas, afastando pessoas que apenas sugam minhas energias.
Fui encaminhada para o hospital e, no caminho, acabei apagando, enquanto meu segurança tentava falar comigo. Nunca passei por algo assim antes. Tive a terrível sensação de que meu tempo está se esgotando.
Para minha surpresa, não acordei sozinha no hospital. Eduardo estava ao meu lado, segurando minha mão. Há tempos não sinto tanto carinho por um gesto simples como esse. Me senti acolhida por ele, algo que há muito tempo faz falta na minha vida.
Não sou ingênua. Sei que ele gosta da minha companhia, da atenção que dou a ele, e também da vida boa e do luxo que proporciono. Mas, fora isso, não passa de conveniência. Ainda assim, é reconfortante ter alguém ao seu lado quando você mais precisa. E, nesse momento, ele está aqui.
Eduardo estava inquieto, tentando me contar algo sobre a ameaça de Renata. Ele parecia aflito, mas eu não quero saber sobre o seu passado. Para mim, isso é irrelevante. No entanto, quando ele mencionou que o assunto envolvia meu filho e a esposa dele, a curiosidade me atingiu. Isso, definitivamente, não dá para ignorar.
— Se precisa tanto falar, então fale. — Disse calmamente, me sentando. Não quero deixá-lo desconfortável. Sei o quanto é ruim se sentir mal por algo que te envergonha no passado.
— Elisângela, quero que entenda que isso é coisa do passado, mas a Renata está tentando trazer para o meu presente. — Ele começou, mencionando Renata, e me peguei imaginando se poderia ser algum envolvimento que eles tiveram.
— Que decepção! — Respondi, negando-me a aceitar que Renata está se tornando tão problemática. — Fale logo. Aproveite que estou no hospital. Se for algo chocante, estou no lugar certo.
Eduardo segurou minha mão e continuou:
— Não queria que estivesse passando por isso, ainda mais em pleno tratamento.
— Sou forte. Pode falar. Penso que não é tão grave assim.
— Vou direto ao ponto, porque não sou de enrolar. O problema é que eu já fui apaixonado pela Melissa. Sempre foi uma paixão secreta que ninguém sabia, apenas um amigo meu. No caso, o mesmo que levou Renata até a cobertura. Provavelmente, ela descobriu isso através dele e agora está ameaçando contar ao Henry e a você.
Ele terminou de falar, e eu não vi problema algum nisso. Afinal, a mãe da minha neta é uma bela mulher.
— O que tem isso? — Pergunto, tentando manter a tranquilidade.
— Você não acha ruim?
— Ruim? Sim, é ruim, não vou negar. Não esperava por isso, mas também não é algo tão surpreendente. É sobre isso que a Renata está te ameaçando? — Pergunto, enquanto ele abaixa a cabeça, confirmando.

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