Subi as escadas e fui cumprimentar meu amigo.
— Aí, irmão, tá tomando umas bombas? Parece que tá mais forte. — Brinquei, enquanto ele me cumprimentava com um sorriso.
— Será, irmão? Não notei, não. Kkk. — Entramos na minha sala e nos sentamos.
— Como está a vida, meu amigo? E a espera pelo novo herdeiro? Já pensou no nome?
— A vida está mais bela do que mereço, na boa. Nunca pensei que tudo poderia ser tão perfeito como tem sido. Tô feliz demais e, agora, sabendo aproveitar a vida com quem escolhi para estar ao meu lado. Quanto ao nome do meu filho, tenho pensado muito nisso, até tira meu sono. Queria um nome parecido com o meu, mas estou indeciso. Tenho algumas ideias em mente e até conversei com a dona Carmem sobre isso. — Falei, refletindo sobre minhas opções.
— Com a mãe da Melissa? Por quê? — Ele perguntou, curioso.
— Penso em homenagear o pai dela, escolhendo o nome dele para nosso filho. Mas não sei se isso faria bem à Melissa. Por isso pedi ajuda à dona Carmem. Tenho medo de que, toda vez que ela ouvir o nome do nosso filho, se lembre da perda do pai e isso machuque. Na boa, o que você acha?
— Não sei, irmão. Mas acho uma boa ideia, desde que isso não toque em uma ferida aberta. É uma homenagem bonita, e penso que homenagens assim são sempre bem-vindas.
— Também penso assim.
— Então, mata a minha curiosidade: qual era o nome do pai da Melissa?
— Tem que ser surpresa pra todo mundo, irmão. Assim não vale. — Brinquei, provocando.
— Ah, não, cara! Não faz isso.
— Tô zoando. O pai dela se chamava Pedro. E, na boa, gosto muito desse nome. Acho que seria perfeito para o nosso filho e, de quebra, homenagearia o pai dela.
— Tá aí! Tô contigo, irmão. Pedro é uma ótima escolha. — Ele disse, pensativo.
— E você, já planejou alguma coisa?
— Ainda não. Eu e a Bárbara vamos decidir no momento certo. Não quero que ela se sinta pressionada nem se arrependa. Quero que seja perfeito, como o de vocês está sendo.
— É barra, mas não tem coisa melhor do que olhar para seu filho e saber que ele é fruto do amor entre você e a mulher que ama. — Falei, com um sorriso que não conseguia esconder.
— Realmente, irmão. Não tem coisa melhor. Por isso só penso em ter filhos com a Bárbara. Se não for com ela, não quero ter com mais ninguém. — Ele respondeu, pensativo, com os olhos fixos no vazio. Nunca imaginei que veria meu amigo assim, tão apaixonado pela minha irmã. Antes, parecia improvável. Hoje, percebo o quanto eles se completam. Ele trata minha irmã com tanto carinho, mesmo quando ela o provoca de um jeito que poderia irritar qualquer um. Ricardo entende o jeito dela e aceita isso com paciência, como se já estivesse moldado para ela.
Nossa conversa foi interrompida pelo toque do telefone. Atendi imediatamente.
Ligação
— Carr Shop, concessionária. Henry, boa tarde. — Falei de forma profissional, mas não obtive resposta. Repeti minha apresentação, tentando ouvir melhor, mas o som do outro lado era apenas chiado.
De repente, uma voz que fazia meu sangue gelar surgiu:
— Nossa, que delícia ouvir você falando sério assim. Não sabe o quanto fica sexy. Me lembro dos velhos tempos na empresa. Que tal relembrarmos, amor? Estou morrendo de saudades da sua pegada. Ai, que delícia. — Bufei, incrédulo. Renata. Depois de tanto tempo, ela reaparecia para tentar me perturbar.
Fiquei calado, tentando manter o controle. Quando fui desligar, sua voz insistiu:
— Não desliga. Só quero matar a saudade, meu amor. Nem me importo em ser às escondidas. Vem me encontrar. Sabe onde estou.
— Vá para o inferno! — Gritei, com raiva, e desliguei. Minha respiração estava pesada, meu peito apertado. Ricardo me olhou, surpreso e confuso.

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