Depois de prestar depoimento, o delegado finalmente confirmou que aquela desgraçada da Renata não havia morrido. Só então fui liberado da delegacia. Minha mãe foi um anjo durante todo o processo, cuidando de tudo para que eu saísse o mais rápido possível. Eu estava sem paciência até mesmo para o interrogatório, meu humor completamente destroçado.
Enquanto esperava naquela sala fria e impessoal, o irmão da Renata apareceu. Quando o vi entrar, já imaginei que ele começaria a despejar uma enxurrada de merdas. Mas, para minha surpresa, ele fez exatamente o oposto. Ele nos ajudou, prestando um depoimento que só reforçou o caso contra Renata. Ele afirmou que a irmã estava completamente obsessiva e havia planejado se vingar de mim e da minha família.
Confesso que não esperava isso dele, mas seu alerta veio com um aviso: a mãe de Renata não pensava o mesmo. Por mim, que se lasque. Para a sorte dela, a filha ainda está viva. Pelo que Bárbara me contou, Renata deu chilique no hospital ao saber que, assim que tivesse alta, iria direto para a cadeia.
Saindo da delegacia, fui direto ao hospital com minha mãe. Ao chegar, fui até a recepção, meu coração pesado de ansiedade.
— Preciso de notícias de Melissa Veneza. — Falei, minha voz tensa. Eu precisava desesperadamente saber que minha esposa e meu filho estavam bem. Bárbara só havia me dito que ela estava realizando exames para verificar o estado do bebê.
— O senhor é algo da paciente? — A pergunta da recepcionista me irritou ainda mais.
— Sou o marido. Por favor, seja mais rápida. — Respondi, minha paciência já no limite. Minha mãe colocou a mão no meu braço, tentando me acalmar.
— Precisamos da sua identificação.
— Identidade, filho. — Minha mãe me lembrou, com a calma que eu não tinha naquele momento.
— Senhora, seja mais rápida. Quero saber o estado da minha esposa. — Falei, minha voz saindo mais alta do que o necessário.
— Ok, senhor, mas não desconte em mim o seu nervosismo. — Ela retrucou, séria.
— Desculpe, mas, por favor, seja rápido. — Pedi, tentando me controlar.
Cada segundo parecia uma eternidade. Minha paciência estava em frangalhos. Finalmente, a recepcionista voltou, agora acompanhada por outra mulher.
— A paciente está recebendo medicação. A enfermeira o levará até ela.
Minha mãe colocou a mão no meu ombro, me olhando com ternura.
— Vai lá, filho, e me dê notícias.
— Vai ficar tudo bem com o meu filho, não vai? — Perguntei, minha voz quase um sussurro.
— Claro que vai, meu amor. Ele já é forte como você e a sua esposa. — Minha mãe respondeu com um sorriso caloroso. Eu a abracei rapidamente antes de seguir a enfermeira pelo corredor.
Caminhei apressado, meu coração acelerado, até avistar Ricardo e Bárbara do lado de fora do quarto. Eles sorriram ao me ver e abriram passagem para que eu entrasse.
Assim que entrei, meu olhar foi direto para Melissa. Ela estava deitada, com um acesso no braço e oxigênio no nariz. Meu peito apertou. Ver minha esposa naquele estado era uma das coisas mais difíceis que já enfrentei.
Me aproximei devagar, cada passo carregando um misto de alívio e dor. Melissa estava sonolenta, mas ao vê-la respirar, ainda que com dificuldade, meu coração desacelerou um pouco. Ela estava ali. Ela estava viva.
Sentei-me ao lado dela, peguei sua mão e pressionei-a contra a minha.
— Amor! Amor, você está bem? — Perguntei, meu coração batendo forte enquanto via seu rosto se virar lentamente em minha direção.
— Henry… — Sua voz saiu baixa, mas o som dela me trouxe um alívio indescritível. — Henry, como é bom ouvir sua voz.
Me aproximei, segurando seu rosto delicadamente entre as mãos e beijando seus lábios com a suavidade que aquele momento pedia.
— Meu amor, eu te amo. Não consigo viver sem você. Meu coração não aguenta sem você, amor. — Minha voz era carregada de emoção enquanto a abraçava. Deitei minha cabeça sobre sua barriga, e seus dedos começaram a acariciar meus cabelos de forma tão terna que quase esqueci de tudo o que havíamos passado.
— E o Pedro? Como ele está? — Perguntei, olhando para ela.
Melissa franziu a testa, confusa.
— Pedro? — Ela repetiu, mas um sorriso começou a se formar em seus lábios.
— Sim, Pedro. — Confirmei, assentindo. — Ele será forte como o avô dele. Queria um nome parecido com o meu, mas decidi que não vou ser egoísta. Vou homenagear o pai da mulher que amo. — Ela sorriu ainda mais, seus olhos brilhando, e me abraçou com felicidade.
Abracei-a de volta, minhas mãos acariciando seu rosto. Tudo parecia finalmente estar se encaixando, como se um peso tivesse sido retirado do meu peito.
O momento foi interrompido pela entrada do médico no quarto.
— Boa noite. Como está se sentindo? A medicação está fazendo efeito?
— Sim, doutor. Estou um pouco sonolenta, mas está tudo bem.
— E ela está mesmo bem, doutor? — Perguntei, meu tom ainda carregado de preocupação.

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