Ela deu a volta no sofá, ficando frente a frente comigo.
— Ficou louco, Henry? — Sua voz saiu baixa, mas carregada de tensão.
— Não, mãe. Estou assumindo minha concessionária. Hoje foi meu primeiro dia. Não vejo motivo para continuar na sua empresa.
— Você não vai sair da empresa! Quem assumirá a presidência?
— O Ricardo é o melhor nome, e a senhora sabe disso.
— Henry, até hoje tive paciência com você e Bárbara, mas estão ultrapassando os limites.
— Vai nos deserdar? Faça isso. Dinheiro não é tudo. Nunca foi. — Finalizei, deixando-a sem palavras.
— Não estou brincando, Henry Stuart. Você fala isso, mas nunca te faltou nada. Sempre teve de tudo. Eu sabia que a convivência com o João iria te transformar num fraco. Não é à toa que não quis continuar mantendo uma família com ele.
— Que pena, mãe. Perdeu uma ótima pessoa que poderia ter te ajudado a sair dessa solidão em que vive. Você nunca quis ter uma família de verdade e ajudou a destruir a minha. — Ela se calou, visivelmente afetada pelas minhas palavras. Sentou no sofá e abaixou a cabeça, em silêncio.
Mas, como se minha paciência já não estivesse no limite, Renata apareceu com sua entrada liberada de sempre. Passou pela porta da sala com aquele ar confiante, como se fosse dona do lugar.
— Olá! Que clima é esse? — Disse, com um sorriso sarcástico no rosto.
Ainda com raiva, bati palmas devagar, o som ecoando pela sala.
— Tava faltando você. Pronto, está aí, Renata. Bela dupla a de vocês. Que tal brindarem à minha desgraça de uma vez por todas? — Sai da sala em direção às escadas, mas Renata foi rápida e se colocou na minha frente.
— Henry, por que está me tratando com tanta frieza? O que eu te fiz? — Ela perguntou, com aquele tom dramático que só ela consegue.
— Você ainda pergunta, Renata? Porque não me deixa em paz se sabe muito bem que não quero nada com você. — Retruquei, já cansado.
— Porque eu te amo! — Disse ela, aumentando a intensidade. — Sempre nos demos bem, Henry. Nunca fomos de brigar. Crescemos juntos, eu te conheço como ninguém. Sei que está passando por momentos difíceis, mas pensa bem: agora tudo mudou. Eu estou aqui para te ajudar a superar tudo isso. — Sua voz era cheia de autoconfiança, como se tivesse certeza de que me convenceria.
— Renata, acorda. Não temos nada, nunca tivemos. E, por mim, nunca teremos. Enfia isso na sua cabeça de uma vez. Eu não assumirei nada com você, nem com NINGUÉM. — Minhas palavras saíram frias e diretas. Ela me olhou com deboche, como se não acreditasse.
— Isso é o que você acha, amor. Sabe que eu não desisto fácil. — Ela piscou e tentou se aproximar, mas eu desviei dela e continuei subindo as escadas. Antes de ir para o quarto buscar Mia, avisei que estávamos indo embora.
— Eu mal pude ver ela. Fique mais tempo, Henry. — Pediu minha mãe, com uma expressão que parecia mais cansaço do que realmente saudade.
— Nossa, como a pequena princesa está linda. — Disse Renata, tentando se aproximar. Instantaneamente virei Mia para o lado oposto, protegendo-a. Sei bem, e Renata também sabe, que Melissa odeia que ela chegue perto da nossa filha. Não quero problemas desnecessários.
Antes que Renata avançasse mais, Bárbara entrou na frente dela.
— Deixe suas mãos bem longe da minha sobrinha. — Disse Bárbara, com o tom de ameaça que só ela sabe usar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do fim... Um recomeço para o CEO