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Depois do fim... Um recomeço para o CEO romance Capítulo 29

Já na casa da minha mãe…

Ela nos recebeu com uma bela mesa posta para o café da tarde, embora o horário já estivesse beirando a noite. Como sempre, ela reparou na minha cara de cachorro abandonado. Era evidente, tanto que passei o dia inteiro de óculos escuros. Difícil era fazer a Mia deixar os óculos no meu rosto; ela se divertia tentando arrancá-los de todos os modos possíveis, com aquele jeitinho esperto e encantador que só ela tem.

Desde que cheguei, minha mãe não largou a Mia por um segundo. Ela ama minha filha com uma devoção quase redentora, e tenho certeza de que é a única pessoa capaz de suavizar aquele lado rígido e amargo dela. Quando Mia está por perto, parece que minha mãe finalmente encontra algo de doce no mundo. Bárbara não estava em casa; tinha ido à casa do meu pai, a pedido dele. Fiquei sentado à mesa, mas só como companhia. Enquanto minha mãe alimentava minha pequena princesa, eu sentia o estômago revirar. Nada descia, e minha garganta irritada tornava a fome quase inexistente.

— Não vai comer? — perguntou minha mãe, quebrando o silêncio.

— Não, mãe. Tô sem fome. — Respondi num tom apático.

— Pelo menos em casa, tire esses óculos, Henry. Isso é falta de educação. — Já era a terceira vez que ela insistia nisso.

— Já falei que não. — Retruquei. Ela bufou, impaciente.

— Até quando você vai se matar por causa desse divórcio? Olha para você: está mais magro, abatido. Meu filho, levanta as mãos aos céus e agradece porque aquela mulher não te amava, e você sabe disso. Se te amasse, não estaria lidando com tudo tão bem.

— A senhora está vigiando a vida dela para saber disso? Mal sabe o que acontece. Pare de falar como se soubesse. — Respondi, sentindo o sangue ferver.

— Só estou tentando abrir seus olhos.

— Por que a senhora age assim? Por que é tão fria e nunca se preocupa com o que eu sinto?

— Filho, você se acostuma rápido. É só parar com essa mania de correr atrás de quem não vale a pena. Por que não sai com a Renata? Ela, sim, sempre esteve ao seu lado. — Rolei os olhos, já sem paciência.

— Me deixa, mãe. — Falei em tom firme.

— Já te disse mil vezes: você estava nesse casamento sozinho. Aquela mulher nunca te amou. É uma interesseira.

— Só você pensa isso. Melissa nunca precisou de nada de mim.

— HA! Vai me dizer que aquela loja dela nasceu com a força do pensamento?

— Do esforço dela! Agora pare de falar mal da mãe da minha filha. Pelo menos respeite sua neta, se não quiser que ela cresça te odiando por falar mal de quem ela mais ama na vida. A mãe dela! — Levantei abruptamente da mesa e saí, dando de cara com Bárbara. Sem trocar uma palavra, desviei dela e fui para a sala. Liguei meu antigo videogame e sentei no chão, buscando um pouco de paz.

Calada Barbara se aproximou.

— Mano, o pai falou comigo. — Disse Bárbara em tom baixo, sentando ao meu lado.

— Que bom. Ele disse que vai viajar?

— Disse, e também pediu para eu ficar de olho em você.

— Não sou criança. — Respondi sem tirar os olhos da tela.

— HENRY… DESCULPA, MANO! — Ela me abraçou de repente, me pegando de surpresa. Recebi o seu abraço e suspirei antes de perguntar.

— Por quê?

— Por incentivar tanto a Melissa a fazer coisas que nem ela queria e pelos surtos que tive com você.

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