Melissa
Eu estava tão empolgada com a reunião com Daniel que quase esqueci por um momento os problemas que carrego. Mas, assim que ele foi embora, minha atenção se voltou completamente para Henry. Ele simplesmente roubou o foco da minha noite, como sempre faz. E, pelo jeito, fazia isso de propósito.
Saber que ele costuma frequentar esse restaurante não é surpresa, mas encontrá-lo aqui hoje? Não esperava. Meu corpo tremia mais do que eu imaginava possível, e minha mente parecia um emaranhado de nós ao avistar os olhos dele. Meu Deus, eu jurava que ele havia se metido em alguma briga. Nunca o vi tão abatido. Isso me machucou mais do que eu gostaria de admitir.
O peso da culpa e do arrependimento estavam estampados em cada detalhe dele. Era doloroso perceber isso. Henry, tão orgulhoso e arrogante, estava ali diante de mim, despido de toda aquela fachada. E, ao mesmo tempo que isso me comovia, também me deixava com raiva. Como conseguimos chegar a esse ponto? Como erramos tanto?
Eu não sou egoísta ao ponto de ignorar o sofrimento dele. Sei que ele está mal, mas também preciso pensar em mim. Eu preciso de segurança. Preciso sentir que estar perto dele não vai me destruir novamente. Por isso, falei o que estava preso na minha garganta há tanto tempo. Palavras que poderiam deixá-lo nervoso, mas que precisavam ser ditas.
O que mais me surpreendeu foi o pedido de perdão. Nunca imaginei ouvir isso sair da boca de Henry. Ele é orgulhoso, sempre foi. Até quando sabia que estava errado, jamais admitia. Quando ouvi aquelas palavras, algo dentro de mim se quebrou. Fiquei perdida entre as memórias boas e ruins que invadiram minha mente. Meus olhos se encheram de lágrimas. Ele tirou os óculos, expondo aqueles olhos cansados e machucados. E, mesmo assim, havia algo nele que ainda me deixava sem chão.
Respirei fundo, tentando segurar o choro que insistia em sair. Eu precisava manter a cabeça no lugar, pensar antes de agir.
— Por que isso agora? — Perguntei baixo, lutando contra a vontade de desabar ali mesmo.
Ele limpou a garganta, tentando esconder a emoção que transbordava nos olhos.
— Estou realmente arrependido, Melissa. Você sabe como sou um puto de um ignorante e orgulhoso. Não lembro a última vez que fiz algo assim, mas eu sinto que preciso fazer isso. — Ele respirou fundo, tentando encontrar as palavras. — Não estou pedindo para você me aceitar de volta ao seu convívio. Isso seria pedir demais, eu sei. Só quero que você viva sua vida, que seja feliz. E, se isso significa abrir mão do seu amor, então... — Ele parou, batendo no peito com os dedos. — Dói aqui dentro, Melissa. Dói saber que sua felicidade não está comigo. Mas eu só quero uma coisa: o seu perdão.
A voz dele falhou, e eu não consegui conter as lágrimas. Nunca vi Henry tão vulnerável. Ele abaixou a cabeça, limpando os olhos discretamente.
— Não quero te ver triste. — Ele ergueu a mão, limpando minhas lágrimas com os dedos. — Por favor, não sofra mais. Sei que minha presença traz memórias boas, mas também ruins. Se preferir, eu vou embora.
Minha garganta apertou. Eu segurei a mão dele, tentando organizar os pensamentos que se atropelavam em minha mente. Depois de um longo silêncio, consegui falar:
— Não... Acho que já está na hora de termos uma conversa. — Minha voz saiu firme, mas meu coração batia descompassado.
— Quer conversar aqui? — Ele perguntou, hesitante.
— Vamos para a parte de fora.

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