Melissa
Eu estava completamente abalada com tudo o que tinha acabado de acontecer. O desenrolar da conversa com Henry me deixou tão desconcertada que parecia que meu corpo e minha mente estavam em conflito constante. Ele sempre teve esse poder sobre mim, de virar meu mundo de cabeça para baixo sem o menor esforço.
Ao ouvir suas palavras, percebi que o Henry que estava diante de mim não era o mesmo de antes. O homem intenso, cabeça dura e explosivo tinha dado lugar a alguém vulnerável, arrependido, e que, pela primeira vez, parecia estar em paz com a ideia de admitir os próprios erros. Enquanto ele falava, meu coração oscilava entre a mágoa e a esperança.
Quando ele abaixou a cabeça e disse que não era digno de pena, meu peito apertou. A sinceridade em sua voz, a forma como ele assumiu seus erros e pediu perdão... Era quase impossível não sentir algo. Sua mão tocou a minha, e foi como se um raio percorresse meu corpo. Olhei para ele, e lá estavam aqueles olhos marcados pelo cansaço e pela dor, mas ainda assim capazes de me hipnotizar.
Eu virei minha mão, segurando a dele, e senti meu coração acelerar. Não era apenas o toque. Era o peso do que estávamos vivendo naquele momento.
— Eu te perdoo, Henry. E é de coração. Esqueçamos o que já passou. Vamos seguir bem pela Mia. — Minhas palavras saíram sinceras, carregadas de emoção.
O sorriso que ele deu foi contido, mas parecia carregar um alívio tão grande que fez meus olhos brilharem. Ele abaixou a cabeça, encostando-a na minha mão por um instante antes de beijá-la. E, em seguida, ele se levantou e me puxou da cadeira, me abraçando com tanta força que fiquei sem reação. Meus pés saíram do chão, e um pequeno gemido escapou de mim, sem controle.
Meu corpo reagiu de um jeito que eu não esperava. Fechei os olhos, sentindo seu cheiro, aquela mistura inconfundível que sempre me trouxe conforto e segurança. Sua respiração estava descompassada, e eu sabia que a minha não estava muito diferente. Meu corpo pedia por ele de uma forma que eu não podia permitir naquele momento.
— Henry… o que está fazendo? — Minha voz saiu trêmula, falha, quase inaudível. Eu tentava recuperar o controle, mas estava difícil. Ele era como um imã, e meu coração parecia estar no epicentro daquele campo magnético.
— Obrigado, Melissa. Você é a mulher mais maravilhosa que já conheci. Não é à toa que é apaixonante. Não é à toa que todos que te conhecem te amam. — Sua voz carregava uma sinceridade que me deixava ainda mais perdida. Cada palavra parecia um combustível para os sentimentos que eu tentava reprimir.
Eu precisava me afastar. Estávamos entrando numa zona perigosa, e eu não podia me deixar levar.
— Por favor, não me aperte assim. — Falei, ainda trêmula, tentando recuperar o fôlego e colocar alguma distância entre nós.
Ele me soltou de imediato, mas o olhar de receio e arrependimento em seus olhos quase me fez querer abraçá-lo de novo.
— Me desculpe. Eu não devia ter tocado em você assim. Me empolguei. Só… só não fique com raiva de mim. — Ele parecia vulnerável, quase inseguro, e isso me desmontava por dentro.
— Não, não estou com raiva. — Respondi com a voz ainda embargada. — Só espero não te ver mais abatido desse jeito.
Ele assentiu, seu olhar sério e firme.

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