Continuação;
Sim, eu estava aflita. Bárbara, que me conhece como ninguém, já tinha percebido. Suspirei fundo, precisando desabafar, porque minha mente estava um verdadeiro turbilhão.
— Eu me segurei, Bárbara, juro. Não esperava nada disso, muito menos encontrá-lo daquele jeito, tão abatido. Foi um susto. Mas o que não sai da minha cabeça é... e se a Renata continuar em cima e ele ceder? Vai ser doloroso demais vê-los juntos. Ele é homem, Bárbara, e ela já conseguiu isso uma vez. Agora que ele está desimpedido, pode acontecer de novo.
Bárbara franziu o cenho, mas logo deu um sorriso tranquilo, como quem já sabe o que responder.
— Ele já deixou claro para você que não vai assumir nada com ela, lembra? E eu vi ele falando isso lá em casa, até me surpreendeu. Mel, para com isso. Você não é insegura, não vai ser agora. Além do mais, você acha mesmo que ele seria bobo o suficiente para assumir uma mulher que já passou pelas mãos de todo mundo? — Ela fez um gesto exagerado, tentando me arrancar uma risada.
Suspirei, mas o nó na minha garganta não desaparecia.
— E se for outra? Ele assumiu a concessionária, e, se nada mudou, a Cristal ainda trabalha lá. E a Cristal, ah, Bárbara... Ela é outra que sempre adorou se jogar em cima dele. Sei que isso soa imaturo, porque pelo menos ela respeitava enquanto ele era casado. Mas, sei lá, saco! Eu não deveria nem estar pensando nisso. Ele está desimpedido, não me prometeu nada, a não ser que tentaria ser um homem e pai melhor. Ele não me prometeu fidelidade, nem compromisso, nada. Que raiva de mim por estar assim! — Desabafei, aflita. Não é comum eu me sentir tão vulnerável, mas, droga, a insegurança me pegou de jeito dessa vez.
Bárbara me encarou com ternura e deu de ombros.
— Se for, vai ser. E ele vai perder um mulherão como você, que o ama de verdade. Mas, amiga, deixa ele tomar um rumo. Só assim você vai saber se o rumo dele coincide com o seu.
— Sei que estou sendo boba. Sei que deveria deixar pra lá, mas, Bárbara, quando ele me abraçou hoje, senti algo. E foi bom demais, sabe? Aquele tipo de sensação que te tira o chão. — Sorri fraco e balancei a cabeça. — Acho que termos ficado bem mexeu comigo, abriu possibilidades na minha mente que eu nem queria considerar. Preciso colocar os pés no chão e lembrar que nada mudou. Nada!
— Desabafa, amiga. Você sabe que estou aqui para te ouvir.

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