Ao entrar, percebi que ele estava inquieto. Sentamos, e pude notar que algo o incomodava.
— O que te abate? Está inquieto. — Perguntei, já conhecendo bem meu amigo. Ricardo é uma das pessoas mais controladas que conheço, junto com a Melissa. Ver ele nervoso assim não é comum, então algo sério deve estar acontecendo.
— Então, cara, tô mesmo preocupado. Ontem sua mãe veio falar comigo e me deixou inquieto com o rumo da conversa. Sei que ela conhece meu irmão e tudo mais, mas nunca imaginei que fossem próximos assim. Nem sabia que sua mãe se lembrava do Edu.
— Como assim? Ela sabe que o Edu é seu irmão, e isso já faz tempo.
— Pois é, mas sua mãe me disse que serei o novo diretor da empresa. — Ele gesticulava, como se relembrasse a cena.
— Isso é ótimo, irmão. Eu mesmo falei para ela que você seria a melhor escolha. Você conhece cada detalhe do que acontece lá.
— Ela mencionou isso, mas o que me surpreendeu foi o seguinte: quem vai ocupar o meu cargo é o Edu. Meu irmão será o braço direito dela na empresa. O que não faz sentido é que ele nem estava na empresa até ontem. — Ele falava com um tom de incredulidade que me contagiou.
— Como assim, cara? Minha mãe enlouqueceu? — As palavras escaparam sem filtro. Apesar de estar falando do irmão dele, Ricardo sabe que a minha surpresa é genuína.
— Não sei o que ela tá planejando, mas fiquei tão chocado quanto você. Edu começa hoje, e resolvi vir falar contigo porque nunca escondo nada de você. Não faço ideia do que sua mãe quer com isso.
— Para você ver a falta que faço naquela empresa. Foi só eu sair e já fui substituído. — Reclamei, sentindo uma mistura de indignação e resignação. Pensei na facilidade com que sou substituído em tudo, desde o trabalho até... Melissa.
Respirei fundo, tentando afastar esses pensamentos. — Mas, olha, fico tranquilo em saber que você vai assumir. O Edu pode até ser capaz, mas não entendo como ele e minha mãe ficaram tão próximos assim.
— Também não sei. Quando ela me disse, fiquei sem palavras. Mas, afinal, ela manda e desmanda lá dentro.
— Fez bem em aceitar, irmão. Agora você tem a chance de liderar. Só não deixe minha mãe fazer tudo do jeito dela, ou a empresa vai para o buraco. Vou até lá mais tarde, preciso entender essa história direito.
— Se fosse minha mãe, eu faria o mesmo. Eu sei que o Edu pode ser competente quando quer, mas ele também é muito irresponsável. Liga lá e vê o que tá rolando, isso me preocupa. — Ricardo parecia aflito. Ele sempre sentiu uma espécie de responsabilidade em relação ao irmão.
Peguei o celular e liguei para a empresa. Marquei um horário com a secretária, já que minha mãe exige toda a formalidade do mundo, e desliguei.
— Pronto, irmão. Vou tentar desvendar o que se passa na cabeça da dona Elisângela.
— Obrigado, Henry. Tenho medo de que meu irmão faça besteira. Lutei muito para ter meu nome respeitado e não quero que o Edu acabe prejudicando isso.
— Fica tranquilo. Agora, mudando de assunto, queria falar sobre outra coisa.
— Claro, irmão. Manda. — Ele se levantou, serviu café e voltou a sentar.
— Tá sabendo de alguma festa da minha irmã?

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