Melissa
Eu, Bárbara e Lennon conversamos por um tempo, mas ele logo anunciou que sua visita seria breve, pois tinha outros compromissos. Antes de sair, deixei Mia com Dora e segui para minha loja. Tinha uma série de coisas a resolver: precisava assinar alguns papéis e avaliar os planos para mudar a loja de lugar. O espaço atual já não comporta o fluxo crescente de clientes, e sinto que chegou a hora de encontrar um local que reflita melhor a minha identidade e o sucesso que estamos construindo.
Bárbara aproveitou a carona e, como sempre, não perdeu a oportunidade de comentar sobre Angra.
— Obrigada pela carona, mana. E vê se não me inventa desculpas para fugir de Angra, hein. Vou te atormentar até chegarmos lá!
— Pode deixar, Bárbara. Não vou deixar o Henry invadir meus pensamentos, se é isso que você está insinuando.
— Olha, se fosse para vocês se resolverem de vez, eu até diria para você reconsiderar, mas já que as coisas continuam iguais, não tem por que não ir.
— Sua mãe, Bárbara... — Alerto, percebendo Elisângela vindo em nossa direção. Bárbara me deu um beijo rápido e saiu do carro.
Elisângela se aproximava, voltando de sua caminhada matinal. Ela parecia ter retomado sua rotina, mas sequer me dirigiu o olhar. Limitou-se a cumprimentar Bárbara. Eu também evitei qualquer interação com ela, não queria arranjar motivos para me estressar logo cedo. Respirei fundo e segui meu caminho em direção à loja.
No meio do trajeto, meu celular vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido. Estranhei, mas resolvi dar uma olhada.
**Mensagem**
_Sabe quem dormiu com ele essa noite? Sim, eu!_
Meu coração congelou. Imediatamente encostei o carro e respirei fundo, tentando conter a raiva que começou a borbulhar dentro de mim. Só pode ser coisa de uma pessoa: Renata. Esse é exatamente o tipo de jogo baixo que ela faria. Não me surpreende vindo dela, mas por que agora? Por que resolver me provocar, se até nas viagens que fazia com o Henry ela nunca tinha feito algo assim?
E o pior: será que é verdade? Será que o Henry dormiu realmente com aquela... "Que raiva!" — Esbravejei, dando um soco no volante.
Eu não queria sentir isso. Não queria que essa mulher tivesse o poder de me afetar tanto. Mas aqui estou eu, revivendo as mesmas dores, a mesma angústia. Justo quando tudo parecia estar entrando nos eixos, vem esse golpe para me desequilibrar. Onde está a paz que tanto busco?
Limpei os olhos, que começavam a marejar, e respirei fundo. Henry tinha pedido para que eu fosse à loja, mas agora? Eu não tenho paciência para isso. Se eu o visse agora, acabaria despejando toda essa raiva nele, mesmo sem saber se essa história tem fundamento. Talvez seja apenas um blefe da Renata para me desestabilizar.
Mas a troco de quê? Por que ela faria isso? Será que ela sabe que conversamos e que estamos bem? Se sabe, só pode ter ouvido da boca dele, já que ninguém além de mim e Bárbara tem conhecimento disso.
A raiva cresce a cada pensamento, mas ao mesmo tempo me esforço para não ceder à insegurança. A vontade de encarar Renata e dizer umas boas verdades lateja dentro de mim, mas sei que não vale a pena. Se o Henry realmente fez o que ela está dizendo, então eles se merecem. Mas dói pensar assim. Depois da conversa de ontem, onde ele parecia tão sincero, é difícil acreditar que ele voltaria para os braços dela.
Segui para a loja, tentando reverter meu abatimento. Não vou permitir que uma mulher insignificante como Renata me tire o equilíbrio. Deixe que ela pense que está conseguindo me atingir. Não sou do tipo que desce ao nível de alguém como ela, mas se necessário, sei me defender. E a minha arma sempre será a verdade.
Entrei na loja e logo percebi a agitação das meninas, que conversavam animadamente.
— Boa tarde, meninas, como estão? — pergunto enquanto me aproximo, sorrindo.
— Oi, Mel, que bom que você veio! Estávamos à sua espera, a Luana nos contou da novidade e estamos eufóricas! — uma das vendedoras veio correndo me abraçar, quase me apertando de tanta felicidade.
Pelo jeito, Luana já havia falado sobre a mudança da loja. Realmente, é algo para comemorar. A expansão será um grande passo, e quero que tudo fique impecável, no estilo delicado e acolhedor que tanto amo.
— Que bom que vocês estão felizes, meninas! Teremos mais trabalho, mas também um espaço lindo, espaçoso e com a nossa cara. — Abracei as três vendedoras de uma vez, sentindo a energia boa delas, embora notasse a ausência de Luana, que devia estar lá em cima.

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