Henry comia alguns pedaços generosos de bolo, e o celular dele não parava de apitar. Ele o deixou de lado, mas eu, sentada ao seu lado na mesa, não conseguia ignorar o volume de notificações. Não sou ciumenta, mas curiosa? Ah, isso eu sou, e muito.
— Não vai olhar as mensagens? Pode ser importante. — Questionei, enquanto ele dava alguns pedacinhos de bolo para Mia provar. Ele tinha essa mania: não gostava que ela visse o que estávamos comendo sem poder experimentar. Mia, claro, parecia adorar a atenção, tentando pegar mais do prato. Ele respondeu sem tirar os olhos dela.
— É a Cristal, além do grupo da loja. Devem estar preocupados com o jeito que eu saí. Estava nervoso. Devem pensar que sou um louco ou um irresponsável. Meu segundo dia lá e já rola uma treta dessas. Vou ficar queimado. — Ele me olhou de lado, ainda acariciando Mia, que estava toda esparramada no colo dele.
— Imagino. Se você chegou aqui daquele jeito, nem quero pensar no que aconteceu lá diante daquela louca. Não foi culpa sua, mas que a Renata está merecendo uns t***s bem dados, isso está. — Argumentei, mas, por dentro, meus pensamentos eram outros. Na verdade, eu é que queria dar esses t***s, mas infelizmente não sou de briga.
— Não se estressa com isso. Eu arrumei o problema, e eu vou resolver. — Ele respondeu com uma tranquilidade que não parecia combinada com o contexto.
— Você disse que ela agrediu a Cristal por estar perto de você? O que exatamente aconteceu? A Cristal não reagiu? — Perguntei, agora mais curiosa. Queria entender os detalhes da confusão. Será que Renata simplesmente a atacou do nada ou havia algo mais?
— Ela não teve nem tempo de reagir ou se esquivar. Acho que nem esperava que a Renata fosse agir assim. Foi de repente, como se tivesse pirado. — Ele sorriu de leve ao perceber minha curiosidade.
— Sabe que gosto dos detalhes. — Insisti, e ele continuou.
— Estávamos conversando e lanchando. Mais cedo, fui recepcionado com um café da manhã pela equipe, mas não estava com fome, então guardei algo para mais tarde.
— Que legal. Recepcionado com café da manhã. Fazemos isso na loja para as novas vendedoras. Parece que vai gostar de trabalhar lá.
— É bem melhor que a empresa. Mais humano, menos trabalho.
— E depois? O que aconteceu? — Insisti, querendo mais.
— A Cristal tinha separado um pratinho de salgados e bolo. Estávamos comendo e conversando, mas a Renata chegou e acabou com a minha fome de vez. Falou um monte de besteiras, coisas sem sentido. E aí puxou o cabelo da Cristal quando ela tentou intervir, porque o tom da Renata era de que avançaria em mim.
— Harã. Continua. — Falei, imaginando a cena enquanto ele narrava.
— A Cristal tentou impedir, mas a Renata puxou os cabelos dela e ainda a empurrou, fazendo-a cair no chão. Foi ridículo. — Ele falava baixo, de forma controlada, como sempre fazia quando estava perto da Mia. Achei lindo o cuidado que ele tinha em nunca elevar a voz na frente da nossa pequena. Ele era um superpai. Mas minha mente ainda estava na Cristal, lembrando da noite na balada. Ela parecia feliz com o meu divórcio, e sempre soube que tinha sentimentos por Henry. Decidi provocá-lo um pouco.
— Você está cercado por mulheres, uma batendo na outra e você bem no meio. — Comentei, fingindo desinteresse, mas claramente cutucando. Vi que consegui, porque ele me olhou confuso.
— Nada de cercado. A Renata é maluca, e a Cristal... — Ele pausou, me forçando a encarar seus olhos.
— E a Cristal não é maluca? — Perguntei, levantando a sobrancelha, enquanto ele hesitava.
— Não era isso que eu ia dizer. Só que não tem nada a ver. — Ele negou, mantendo a calma.
— Você já teve algo com ela. Todo mundo sabe que ela ainda gosta de você. — Virei-me, dando as costas para ele. — Pelo menos foi gentil o suficiente para respeitar o nosso casamento, ao contrário da Renata, que te chamava de "amor".
— Tive algo com a Cristal, sim, mas nunca mais aconteceu, foi bem antes de encontrar você. Isso acabou. A Renata sempre foi falsa, e isso não conta.
— Vai negar que as duas brigaram por sua causa? — Perguntei, voltando a encará-lo.

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