Henry
E
Já estava de saco cheio desse hospital, e os remédios pareciam me deixar atônito. Sentia-me um inútil aqui, enquanto poderia estar ao lado da Melissa e da Mia. Logo no dia que planejava dormir pertinho delas, acontece uma dessas patifarias? Não é possível.
O dia foi se arrastando vagarosamente, me enlouquecendo enquanto esperava o bendito médico me liberar. Minha mãe, tentando bancar a paciente exemplar, estava mais impaciente do que eu. Já tinha saído umas cinco vezes do hospital e ainda se irritava quando eu reclamava. Pelo menos ela podia sair quando quisesse. Eu, por outro lado, estava preso aqui, de molho. Para minha alegria, alguém com um humor menos ácido veio me visitar. Bárbara entrou no quarto com aquele jeito louco de ser que só ela tem. Ela me olhou e fez menção de me enforcar.
— Você nunca mais, nunca mais me faz chorar e escandalizar feito uma louca, entendeu, seu moleque sem vergonha? — falou, sentando-se na cama próxima aos meus pés. Sorri, percebendo que ela queria se aproximar, mas bancava a pirracenta.
— Também te amo, Bárbara. — respondi, enquanto ela me olhava com os olhos miúdos. Era a primeira vez que via minha irmã fazer menção de querer chorar.
— Aff, que saco, por que você faz isso comigo, mano? Tive tanto medo de te perder. Quem eu iria perturbar e xingar? — Ela, toda manhosa, veio até mim e me abraçou forte, choramingando e reclamando. Bárbara sempre mantém essa pose de durona, e ela até é, mas quem a conhece sabe que tem um coração derretido quando se trata das pessoas que ama.
— Não morri ainda. Não precisa bancar a chorona. — brinquei, e ela me deu t***s.
— Morre para ver se não te mato.
— Belo amor é esse, hein? E a viagem, conseguiu convencer a Melissa de ir? — perguntei, vendo-a sair do meu abraço, me olhando frustrada.
— Viagem? Acha que sou fria assim? Até parece que vou viajar com você aqui, mano. Jamais faria isso. Você tem que estar em casa choramingando, e não aqui. — sorri com sua fala.
— Você me ama de verdade. Estou emocionado com suas declarações de amor.
— Zoeiras à parte, nunca mais faça isso, entendeu? O pai está louco, está voltando de viagem para te ver. Coitado, quase sofreu um ataque do coração.
— Não precisava disso. Por que não o deixou em paz? Já sabia que estava bem.
— Não liguei para ele. Parece que sentiu, Henry. Ele me ligou no meio da noite dizendo que estava preocupado com você. O jeito foi falar o que aconteceu, mas avisei que estava bem.
— O pai parece sentir mesmo. Nunca vi isso.
— E a dona controladora, onde está? — ela perguntou, olhando para a porta.
— Deve estar andando pelo hospital. Não conseguiu ficar aqui nem meia hora. Mas não julgo. Também estou ansioso para sair daqui.
— É, mano, vê se cuida para não voltar.
— Viu a Melissa ou a Mia hoje? — perguntei, preocupado. Minha cabeça só para quando estou perto delas, porque sei que farei qualquer coisa para protegê-las.
— Ainda não fui lá. Mais tarde vou. A Mel ficou tão mal, mano. Meu Deus, nunca vi ela tão apavorada como ontem. Ela chorava tanto. — Ouvi isso, e em minha mente vieram alguns flashes que eu queria esquecer.
— Mais uma vez estou trazendo preocupações para ela. Daqui a uns dias a Melissa vai me ignorar como faço com a Renata. — argumentei, chateado. Sei que dessa vez não tive culpa, mas sou um chato em questão de perturbar os outros.

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