Melissa
Bárbara voltou ao hospital. Ela disse que queria avisar ao Henry pessoalmente que ele poderia ficar aqui em casa. Minha doidinha agora era também ciumenta, algo que eu desconhecia, mas que achei engraçado. Ela mencionou que traria o Henry assim que ele recebesse alta, e meu coração disparou só de imaginar tê-lo aqui por perto. Poder cuidar dele e não precisar me preocupar se ele estava se cuidando bem era um alívio.
Dora chegou logo em seguida, e, para nossa felicidade, seus exames não apresentaram nenhuma alteração. Eu gostava muito da Dora, considerava-a quase como parte da família. Confiava nela tanto que deixava meu bem mais precioso sob seus cuidados.
Conversando com Dora, decidi preparar algo especial para o jantar. Planejei cozinhar mais cedo para que, quando ele chegasse, pudesse se alimentar. Dora sugeriu alguns pratos que Henry gostava, e optei por uma torta de frango. Ele adorava tudo que levasse massa, e achei que seria uma boa escolha para sua recuperação. Sabia que ele não era fã de sopas ou caldos, comendo-os apenas quando obrigado. Por isso, considerei que uma alimentação mais normal seria melhor.
Enquanto cozinhava, cantarolava algumas músicas. Não era uma chef de cozinha, mas sabia me virar bem. Desde adolescente, tinha aprendido a fazer de tudo em casa. Minha mãe chegava exausta do trabalho, e eu sempre fazia o possível para que ela não precisasse se preocupar com nada ao chegar. Preparava o jantar, arrumava a casa com meu irmão e até fazia as compras, já que ela mal tinha tempo. Lembro-me de como ela era dedicada, trabalhando como diarista e, em alguns dias, fazendo bicos à noite para garantir que não nos faltasse o básico.
Ao refletir sobre minha adolescência, percebia como os ensinamentos de minha mãe haviam me ajudado a valorizar tudo o que tínhamos e conquistávamos. Eu ainda me recordava da expressão de alívio dela ao chegar em casa e sentir o aroma da comida pronta. Pelo menos em uma coisa eu podia me orgulhar: meu tempero sempre foi impecável!
À medida que a noite se aproximava, Mia e eu tomamos banho, nos arrumamos e ficamos bem lindas e cheirosas, aguardando a chegada de Henry. Bárbara me alertou que ele já havia recebido alta, e fiquei feliz ao perceber que ele finalmente sairia daquele tormento. Vi que Bárbara postou uma foto deles em seu status do aplicativo de mensagens, com a legenda: "Vamos para casa, meu mano". Mesmo no hospital, ele conseguia ser lindo.
Recebi uma mensagem de Cristal perguntando sobre Henry, o que achei estranho, já que ela raramente falava comigo. Por que agora se interessava por ele? Tentei não bancar a louca enciumada e respondi educadamente:
"Oi, Melissa, tem notícias do Henry? Ele ganhou alta? Está na casa da mãe? Tentei falar com a Bárbara, mas ela não me respondeu."
Pensei: a Bárbara e seus vácuos; ela adora isso.
"Olá, Cristal, como está? Estou bem, obrigado. O Henry está se recuperando bem, acabou de receber alta e está indo para casa."
Não demorou muito para os seguranças avisarem da chegada deles. Bárbara entrou apoiando Henry, que sorriu ao nos ver.
— Seja bem-vindo. — disse, e ele sorriu, parecendo envergonhado.
— É ótimo estar aqui, mas estou te dando trabalho mais uma vez.
— Você nunca deu trabalho. Sentimos muito a sua falta. — Nossos olhares se encontraram. Aproximei-me com Mia e o abraçamos. Era bom sentir seu cheiro, a segurança de saber que tudo ficaria bem. Com ele aqui, ficava menos preocupada e faria de tudo para que se recuperasse o mais rápido possível, nem que tivesse que acordá-lo de madrugada para tomar os remédios nos horários certos.

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