Melissa
A reação de Bárbara me surpreendeu. Eu não esperava que ela me olhasse com desconfiança, como se eu tivesse feito algo errado. Senti-me como se estivesse diante de Henry, com seu olhar de reprovação. Embora soubesse que ele não se limitava a um olhar; viriam questionamentos e sua fúria, disso eu tinha certeza. Mas, naquele momento, senti-me fuzilada pela dúvida de Bárbara.
— Mel, não brinca, você me faz ter um ataque!
— Juro que queria estar brincando, Bárbara, mas não estou. — Ela me olhou confusa.
— Como assim o Edu te deu essa cesta, Mel? Quando, onde e por que isso? Caramba, me sinto traída, como você não me falou nada disso! — Ela argumentou, e tentei ser amena, já que nem me lembrava mais dessa cesta. Do mesmo jeito que a deixei em cima da mesa do quarto, ali ela ficou; o único que mexeu nela foi Henry, pegando bombons. Mas tentei explicar à minha amiga, que parecia desconfiada demais.
— Bárbara, deixa de ser exagerada, amiga. Foi ontem, não tive nem tempo para lembrar dessa cesta e muito menos do ocorrido. Esqueceu que seu irmão quase me fez ter um ataque cardíaco ontem? Como eu iria me lembrar de falar de uma cesta com tudo isso acontecendo! — Ela voltou a sentar-se na cama, pensativa.
— Tá bom, já deu seu sermão. Agora desembucha: o que rolou e por que ele te deu esse presente? Nossa, tô fula da vida, Mel. — Tentei não rir, mas era impossível; era engraçado ver Bárbara nervosa, algo raro.
— Senta aqui, vou te contar. — Falei, tentando acalmar minha amiga, que de louca ficou uma fera. Essa era nova; já vi milhares de vezes Henry sendo ciumento, mas Bárbara era novidade para mim.
— Fala, vai, vou te ouvir pacientemente. — Ela disse, sentando-se como se estivesse em uma sessão de ioga, até fechou os olhos para me ouvir.
— Ontem, o Edu esteve na loja.
— O que ele fazia numa loja de maquiagens? — Ela abriu os olhos, me olhando de lado.
— Ele disse querer presentear uma pessoa, pediu para me chamar já que sabia que eu era a dona da loja, e eu o ajudei a fazer essa cesta.
— Ele te falou que a pessoa especial era você? Trocaram beijos e abraços? E o Henry, Mel! — Ela falou de forma dramática, me deixando assustada. Bárbara julga Henry de todas as formas possíveis, principalmente quando ele erra comigo, mas também o defende com unhas e dentes quando percebe algo errado.
— Nada disso, ele não falou nada, não rolou nada, amiga. Acha que sou louca? Essa cesta nem era para mim.
— Continua, Mel, quero tentar tirar as paranoias da minha cabeça.
— Está bem. Ajudei o Edu a fazer a cesta e, após, ele pediu ajuda para comprar alguns chocolates, para deixar a cesta mais bonita. — Argumentei e recebi mais um olhar atravessado.
— Ele deve ser muito tapado para não saber escolher chocolate.
— Bárbara, pare com isso, está com raiva, me ouve.
— Continua, Mel. — Ela respirou pesado e eu sorri, percebendo que ela é mais parecida com Henry do que eu imaginava.
— Fomos até uma loja e eu o ajudei a comprar os chocolates.
— Ele colocou algum na sua boquinha, ou foi o contrário? — Falou irônica, mas dessa vez sorriu.
— Bárbara, não dificulta, parece estar duvidando de mim e da minha lealdade. — Falei sério.
— Não da sua, mas da dele, sim.
— Amiga, foi só isso.
— Hum, e o que ele fez? Se declarou ao entregar a cesta? Porque você disse que ele te deu, mas antes falou que era para uma pessoa especial. — Ela argumentou com tanta lealdade pelo que falei que fiquei até temerosa em ser verdade.
— Fomos à loja de chocolates, e ele me convidou para tomar um suco, na boa, por gentileza mesmo. Recusei, queria ir embora. Mas ele conseguiu me convencer e até me contou que queria comemorar com alguém a sua admissão na empresa da sua família. — Ela desfez sua pose de controlada.
Bárbara expressou outra dúvida que a intrigava:
— Essa é outra dúvida que tenho: o que ele está fazendo na empresa? Por acaso ele falou como e por que entrou na ST?
— Não, fiquei em choque, nem comentei sobre isso, e acabei aceitando tomar um suco. Mas acabei desabafando com ele.
— Desabafando? Sobre o quê? — perguntou, dando-me a impressão de que eu era realmente louca por desabafar com Edu, que não entendia nada de relacionamentos. Pirei geral mesmo.
— Havia recebido essa mensagem da Renata e minha raiva do Henry estava no pico; pensava que ele estava mesmo com ela. — MOSTREI A ELA A MENSAGEM.

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