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Depois do fim... Um recomeço para o CEO romance Capítulo 7

Melissa

Voltei para casa cheia de sacolas. Dessa vez, comprei tudo que queria, e o caminho foi embalado por várias músicas de sofrência. Estacionei o carro em frente à casa e, assim que desci, percebi minha vizinha, Marli, de plantão na porta, me olhando de cima a baixo, como sempre. Essa mulher é insuportável — do tipo que faz questão de implicar com qualquer coisa. Nunca conversamos, e faço questão de manter distância. Seu marido e seu filho, por outro lado, são pessoas muito mais agradáveis e educadas. Diferente dela, ambos são tranquilos e simpáticos.

Henry morria de ciúmes do filho dela, Rômulo, só porque ele trocava algumas palavras comigo sobre o dia a dia. Para Henry, isso já era motivo de sobra para implicar. Parecia até que ele queria me trancar em casa. Já Marli, contraditória como só ela, adorava bater papo com ele. E, segundo Rômulo, sua mãe detestava quando ele ou o pai conversavam comigo. O mais irônico é que ela vive de fofoca e, segundo Rômulo, elas acham que eu sou interesseira, só porque a família de Henry é rica. Mal sabem que esse é o último detalhe que me importa.

Notei o carro do pai de Henry estacionado do outro lado da rua. Ele mora a algumas quadras e sempre foi muito presente em nossas vidas, mesmo após o divórcio. Senhor João é o completo oposto de Elisângela, a mãe de Henry. Ele é aberto, divertido e sempre disponível para ajudar. Elisângela, por outro lado, vê interesse em tudo e todos que se aproximam da família. Muitas vezes engoli o orgulho por respeito a ela, mas ela fazia questão de pisar, de provocar. E, de repente, Henry começou a dar ouvidos às ideias dela. Chegou um ponto em que perdi a paciência e disse tudo o que pensava, chamando-a de bruxa, arrogante e mal amada. Talvez tenha sido isso que levou Henry a me enviar os papéis do divórcio, principalmente depois da doença dela. Mas, agora que estamos separados, espero finalmente ter paz.

Entrei em casa e, ao fechar a porta, me deparei com o senhor João.

— Boa tarde, Melissa. Desculpe a invasão, filha. — Ele se aproximou e me deu um beijo na testa, como sempre fazia.

— Boa tarde, senhor João! Como estão as coisas? O senhor sabe que é de casa, fique à vontade. — Sorri, deixando as sacolas no sofá.

— Henry levou a Mia?

— Levou, e eu já estou preocupada. — Peguei o celular e vi que ele tinha enviado fotos da nossa menina.

— Não fique, ele disse que ela estranhou o apartamento e chorou bastante.

— Tadinha da minha pequena! — comentei, aflita.

— Ele a levou para passear numa praça para ver se ela se distraía, e parece que deu certo. — Ele esclareceu, notando a dúvida em meu olhar. A foto mostrava um lugar ao ar livre, e eu me perguntei: será que ele não poderia ter mandado uma foto só dela?

— Ela adora passear, principalmente em lugares cheios de crianças.

— E por aqui, está tudo em ordem?

— Está sim, só uma correria, como sempre.

— Eu sei bem, menina. Você é muito ajuizada. Admiro sua força. E o safado do Henry poderia ter levado a Mia lá em casa para eu ver. — Ele sorriu, e eu não pude evitar sorrir também. — Mas deixa estar, vou puxar as orelhas dele.

— Pois é, o senhor precisa dar um jeito nele! Ele vem aqui quase todos os dias; o que custa levar ela até a sua casa?

— Pode deixar que já estou falando isso para ele. Mas logo ele aprende! Agora vou indo, não quero tomar o seu tempo.

— O senhor já tomou café da tarde? — perguntei.

— Não, mas não se preocupe, minha filha. Já estou indo.

— Ora, venha tomar um café reforçado comigo. A mesa já está posta, e sei que o senhor só almoça e janta. Depois, fica fraco — brinquei, pegando seu braço e o conduzindo até a cozinha.

— Obrigado, menina. Você cuida de mim como uma filha. — Ele sorriu em gratidão.

— O senhor sempre me acolheu como tal. E falando em filha, a Bárbara deve estar para chegar por aí. Combinamos de sair hoje. Espero que a noite não nos reserve surpresas.

— Essa menina não toma jeito! Ontem, me mandou mensagem às três da manhã, ainda numa balada. Parece que a Elisângela não consegue colocar o cabresto nela. — Ele riu, referindo-se ao fato de que Elisângela sempre tenta controlar a vida dos filhos, embora só consiga com Henry.

— Ela tenta, mas Bárbara não cede — comentei, rindo.

Nos sentamos à mesa, e eu servi um pedaço de bolo enquanto o senhor João falava sobre a vida. Depois de um tempo, acabei desabafando sobre o quanto tenho estado reclusa, trancada em casa.

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