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Depois do fim... Um recomeço para o CEO romance Capítulo 8

Henry

Fui tolo. Achei que minha filha ficaria tranquila na minha casa, afinal, ela nunca estranhou nenhum outro lugar antes. Mas foi o oposto: assim que acordou, Mia começou a chorar como nunca. Olhava para a sala, para as paredes, e seu choro só aumentava. Tentei acalmá-la, peguei-a no colo, cantei como sempre faço, mas nada parecia ajudar. Ela me olhava com aqueles olhinhos cheios de lágrimas, fazendo bico antes de soltar mais um choro desesperado. Meu coração apertou. Ela só parava um pouco quando eu mostrava seus vídeos infantis favoritos no celular, mas temia cansá-la demais. Mia é tão pequenina, mais franzina do que outras crianças da sua idade, e sempre me preocupei com isso.

— Filha, é o papai. Olha aqui o papai. — Eu falava, tentando acalmá-la, mas era inútil; ela chorava sem parar, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Meu Deus, vamos sair daqui. — Coloquei-a no bebê conforto e saímos do apartamento. No corredor, seu choro ainda ecoava, e temi que alguém achasse que eu a estava sequestrando. No elevador, uma senhora nos olhava enquanto o choro de Mia começava finalmente a diminuir, o que me deu certo alívio.

No carro, ela parou completamente, como se estivesse aliviada por sair daquele lugar.

Dirigi até uma praça e parei numa padaria para comprar alguns iogurtes, que ela adora. Sentei-me com ela, ainda no bebê conforto, e a vi abrir um sorriso banguela que acalmou todo o meu cansaço.

— É, filha, parece que a minha casa é mais deprimente do que eu imaginava. Acho que não sou o único que sente isso. — Brinquei com ela, que sorriu como se me entendesse. — Minha esperança era poder te trazer mais vezes lá, mas acho que a sua mãe vai ter que me aturar indo te ver todo dia mesmo. — Falei enquanto brincava com seus dedinhos. Percebi duas mulheres numa mesa ao lado nos observando, provavelmente achando graça de eu conversar assim com minha filha, mas desde que Mia nasceu, eu adoro falar com ela como se entendesse tudo.

— Sua bebê é muito linda... Que sorriso encantador! — Uma das mulheres comentou, chamando minha atenção.

— Obrigado, ela é minha princesa.

— Como é o nome dela? — a outra perguntou.

— Mia.

— Que lindo! Parece mesmo uma princesa. Ela se parece muito com você. — Olhei para a mulher com um pouco de dúvida, mas preferi deixar para lá; era evidente que ela não tinha visto Mia e Melissa lado a lado.

— Será? Para mim, ela é a cópia da mãe.

— Se você está dizendo, deve ser mesmo muito bonita.

— Com certeza, a mais linda. Até mais. — Despedi-me com educação, peguei Mia do bebê conforto e pedi à atendente mais alguns iogurtes para levar. Tinha frutas em casa, mas, na correria de sair, acabei esquecendo.

Brinquei com ela no parque até vê-la cansadinha. Esses dias, longe do trabalho, tenho tido tempo para o que realmente importa. Podia ter feito isso antes, mas quantas vezes cheguei em casa tarde, pegando Mia já dormindo? Quantas viagens a trabalho nos afastaram? Não dei valor à vida que eu tinha, à família que eu construí. Mas, agora, pelo menos, quero estar mais presente para ela.

O arrependimento pesa como um soco. Hoje percebo que os problemas com Melissa me afastaram de casa. Meu orgulho e o dela nos impediam de procurar entender o que um sentia pelo outro. O orgulho destruiu nosso casamento aos poucos, e hoje sinto falta de tudo que planejamos viver juntos.

— Vamos para casa, pequena. — Peguei Mia do balanço. Já estava escurecendo, e ela parecia exausta. Recebi uma mensagem do meu pai, pedindo para que eu levasse Mia até ele, mas avisei que ela provavelmente chegaria em casa dormindo. Melissa também tinha mandado mensagem, perguntando se eu já estava a caminho.

Ao chegar, deparei-me com o vizinho Rômulo batendo no portão. Era só o que faltava. Desci do carro e fui até ele.

— E aí, Henry, tudo bem? — Cumprimentou ele.

— Tudo, e você? Está procurando por mim? — Perguntei, já sabendo a resposta.

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