Continuação
Desci rápido, agora vestido decentemente.
— Oi, Cristal. Oi, Rose. — Cumprimentei ambas com um beijo no rosto, mas a preocupação já estava estampada no meu semblante. Fiquei ao lado de Melissa, toquei levemente em seu ombro, mas ela se virou rapidamente, indo para a cozinha.
— Vou fazer um café, fiquem à vontade. — Disse, sem olhar para trás. Sua postura me deixou inquieto. Tenho certeza de que ela se incomodou com a presença delas, ou será que fiz algo de errado?
Caralho, não, agora não. Nada pode atrapalhar a nossa reaproximação.
— Sentem-se. — Tentei soar tranquilo, mas minha mente estava a mil. — Aconteceu alguma coisa? — Perguntei, analisando o semblante delas. Rose olhou para Cristal com um ar tímido, visivelmente sem graça, o que me deixou ainda mais confuso. Rose sempre foi mais calada, mas Cristal estava tranquila, até sorridente. O que está acontecendo?
— Não aconteceu nada, Henry. Viemos ver como você estava. Ficamos preocupadas, depois daquele episódio não tivemos mais notícias suas. — Cristal respondeu, sua voz tranquilizadora. Meu cérebro ainda processava, mas suas palavras ajudaram a dissipar a paranoia. Preciso parar de fazer tempestade em copo d’água. Eu não era assim, mas a droga da Renata me fez virar isso.
— Agradeço a preocupação. Como podem ver, estou bem, me recuperando do susto. E vocês, como estão? Tudo certo? — Perguntei, tentando mudar o foco. Cristal, porém, ignorou minha pergunta.
— Está se cuidando? Dá para perceber que está melhor. Está até menos abatido. Seus olhos voltaram à cor normal, e, pelo que vejo, está ótimo. Lindo como sempre e bem corado. — Disse com um sorriso que me deixou desconfortável.
— Obrigado. Estou, sim. A Melissa tem me ajudado muito na recuperação, não deixa passar um minuto sequer dos remédios. — Respondi, tentando manter o foco na conversa.
— Fui até o seu apê. Pensei que estivesse lá. — Disse Cristal. Porra, nem sabia que ela sabia onde era o meu apartamento!
— Não, estou aqui desde que saí do hospital.
— Já sentimos muita falta do nosso líder de equipe. — Rose falou gentilmente, quase em um sussurro, mostrando seu jeito tímido.
— Obrigado. Espero logo poder voltar à loja. Acho que voltarei bem mais rápido do que imaginava. — Respondi. Nesse momento, percebi Melissa voltando da cozinha com uma bandeja de café, biscoitos e bolo. Ela era simplesmente excepcional.
— Meninas, sirvam-se. Fiquem à vontade. — Disse Melissa com um sorriso educado.
— Ficou lindo o seu corte, Melissa. Adorei. — Cristal comentou, reparando nos cabelos dela.
— Obrigada, Cristal.
— Ficou realmente perfeito. — Acrescentei, observando Melissa. Ela pareceu tímida, apenas esboçando um sorriso de lado.
— Vou subir. Preciso saber o que Bárbara está aprontando com minha princesa. — Melissa anunciou, mudando o foco.
— Ia perguntar sobre a bebê agora. — Cristal disse.
— Está com a tia, passeando. — Melissa respondeu simpaticamente.
— Também tenho uma menina. — Rose comentou com um sorriso.
— Sério? Não sabia, Rose. — Melissa respondeu, agora mais animada.
— Sim, ela é linda.
— Qual a idade dela? — Melissa perguntou.
— Ela tem 9 meses. Está prestes a completar 10.
— Que fase gostosa! Ela já engatinha? — Melissa perguntou, demonstrando interesse.
— Sim, o difícil agora é fazê-la parar no colo. — Rose respondeu, rindo.
— Estamos ansiosos para a Mia chegar nessa fase. — Acrescentei, entrando na conversa.
— Aproveitem, porque passa muito rápido. Infelizmente não volta. Sinto falta da minha pequenininha. — Rose comentou com um suspiro.
— Quando você volta para a loja, Henry? — Cristal perguntou abruptamente, cortando a conversa.
— Espero que em breve. — Respondi, mantendo o tom cordial.
— Melissa, posso tirar uma dúvida? — Rose perguntou a ela.
— Claro, Rose. — Rose se levantou e foi até Melissa. As duas caminharam para um canto, ficando um pouco mais afastadas, enquanto eu permaneci ali, desconcertado com Cristal, que não parava de me olhar com aquele sorriso.
— A loja está indo bem? — Perguntei, tentando quebrar o clima.
— Claro. Sabe que tenho muita responsabilidade. Amo aquela loja e adoro trabalhar lá.
— Que bom.
— Não está saindo? — Ela perguntou, levantando-se e sentando ao meu lado.
— Não, tenho evitado. Não encontrou mais a Renata por aí?
— Não, graças a Deus. Mas, nossa, meu bumbum ficou dolorido depois daquele dia. O tombo foi estranho. — Ela riu, descontraída, enquanto eu, sem graça, tentava esquecer o episódio.
— Sinto muito por isso. Espero que ela não apareça mais.
— Pode deixar. Estou cuidando da loja, mas saiba que você faz muita falta.

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