Renata
Ainda não desisti do que quero, e quero mais do que tudo ter o Henry. Preciso tê-lo. Ele é meu e sempre foi. Como já disse antes, não abro mão do que é meu.
Conversei com minha mãe, e, como sempre, ela tentou me convencer a deixá-lo em paz. Minha mãe é o tipo de mulher fraca — é ruim dizer isso, mas é a verdade. Ela acredita que o Henry já tem uma família e que eu estou desfazendo algo ao dizer que vou me casar com ele. Mas o que tem demais nisso? Qual o problema em ele se casar novamente e construir uma nova família comigo? Às vezes, me pergunto se não errei ao não engravidar dele quando tive a chance. Se tivesse feito isso, hoje eu estaria em uma posição muito melhor, já que sei que ele jamais abandonaria um filho.
De tanto minha mãe insistir, acabei prometendo que deixaria o Henry em paz. Mas sabemos que não cumprirei essa promessa. Fiz isso apenas para acalmá-la, afinal, ela conhece a família dele há anos e teme causar algum mal-estar. No entanto, como dizem, o mal já está feito. Desde criança, colocaram na minha cabeça que ele era meu, e agora só estou reivindicando o que é meu por direito.
Minha família sempre foi bem de vida. Nunca enfrentamos dificuldades. Meu pai é um renomado advogado — inclusive da Elisângela —, minha mãe tem sua própria loja, meu irmão é policial civil, e eu sou secretária na empresa da Elisângela. Ganho bem, sim, mas o que ganho não chega perto do que almejo. Quero mais, muito mais. E serei Renata Stuart, esposa do herdeiro da fortuna milionária da família Stuart. Conto os dias, horas e minutos para ter o que me foi tirado. E cá entre nós, Melissa não merece a honra de ser a nora da grande Elisângela Stuart. Nem o sobrenome da família ela quis.
Elisângela sabe que sou capaz de cumprir o que prometo. Quero unir forças com ela, e sei que, juntas, teremos sucesso rapidamente. Tivemos antes, quando Melissa flagrou Henry e eu nos braços um do outro. A entrada dela naquela sala aconteceu cedo demais. Minha intenção era levá-lo aos poucos para o meu lado, para minha cama, até conquistá-lo por completo. Estava disposta a ser amante por um tempo, mas nada saiu como planejei. Era para estarmos juntos agora, se não fosse aquela entrada m*****a da Melissa. Mesmo assim, estou diante da minha sogra, e sei que ela me ama como se eu fosse filha. Ela sempre fez tudo por mim. Não vai me negar nada neste momento.
— Temos um acordo, madrinha? Espero que coloque na balança tudo o que já fiz pela senhora e o que ainda farei. Sou mais fiel à senhora do que seus próprios filhos. No futuro, seremos uma linda família. — Afirmei, estendendo a mão para firmar nosso acordo. Notei que Elisângela olhou para minha mão, mas não a apertou. Seu silêncio me incomodava. Ela estava demorando demais para responder.
Elisângela é tão influenciável quanto os filhos. Mas percebo que algo mudou. Está deixando-os livres demais, até mesmo a Bárbara. Será que alguém está por trás disso? — Madrinha! — Chamei, tentando trazê-la de volta à conversa.
— O que você pretende fazer? — Ela perguntou, finalmente.
— Vim falar com a senhora. Preciso de ideias. A senhora sabe que adoro suas opiniões. — Disse, com uma leve risada. — Mas juro que pensei que o Henry estaria aqui, se recuperando. Pelo que vejo, ele não está. Não vai me dizer que ele está na casa daquela sem sal? — Questionei, tentando não deixar minha irritação transparecer.
— Sim, ele está lá. Não quis ficar em minha casa, talvez porque sabe que aqui você ainda entra. — Respondeu Elisângela, com frieza.
— A senhora não deveria ter permitido isso! Aquela mulher foi quem o levou ao hospital. Está esperando que ela o mate? Pode muito bem terminar o que começou agora que ele está sob o mesmo teto. A senhora precisa tirá-lo de lá, nem que seja à força. — Exclamei, sentindo a urgência em agir.

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