Melissa
Não demorou muito para Bárbara chegar, trazendo minha pequena princesa, que adora um carro e chegou dormindo profundamente. Peguei-a do bebê conforto e a levei para o quarto enquanto Dora, visivelmente exausta, também merecia um descanso. Sugeri que ela tirasse um tempo para si, talvez saísse para encontrar as amigas que fez por aqui. Deixei claro que ela estava livre para fazer o que quisesse, já que eu não planejava sair de casa hoje. Afinal, já era tardinha, quase anoitecendo. Aproveitei a oportunidade para liberá-la de suas responsabilidades amanhã. Ela precisa de tempo para si mesma, para viver sua vida, por mais que adore cuidar de Mia e, honestamente, de todos nesta casa. Dora é uma pessoa especial em nossas vidas, e sempre tento lembrá-la disso.
Depois que Dora foi para o quarto, Bárbara, que já estava prestando atenção demais em nós, começou a tagarelar, como sempre.
— Estão com uma carinha melhor. Será que a enfermeira que arrumei para você é boa, maninho? — Disse, com aquele tom malicioso que só ela tem. Me senti completamente envergonhada, enquanto Henry, descarado como sempre, nem vermelho ficou.
— Não poderia haver uma enfermeira melhor. — Henry respondeu com um sorriso, me arrancando um olhar tímido. Meu Deus, esses dois me deixam completamente encabulada. Até hoje não entendo como conseguem falar essas coisas sem um pingo de vergonha.
— Sabiaaaa! — Exclamou Bárbara, animada. — Até que enfim, hein? Demorou demais, que lentidão! — Olhei para ela com um olhar de repreensão, mas parecia que quanto mais eu reagia, mais ela se animava.
— Bárbara, ajuda! — Resmunguei, quase implorando.
— Fomos lentos mesmo, amor. Dessa vez, a doidinha está certa. Nem eu estava entendendo por que tinha tanto medo de fazer o que nós dois queríamos. — Disse Henry, provocador como sempre. Ele sabia como me deixar ainda mais envergonhada, embora ambos soubéssemos que, no fundo, ele estava certo.
— Henry, querido, cale-se, por favor. Não me deixe mais envergonhada. A Bárbara já faz o suficiente. — Tentei argumentar, sorrindo sem jeito.
— Tá aí, maninho. Agora gostei. Está admitindo que, pela primeira vez na vida, teve receio de pegar a Mel de jeito. — Bárbara continuava, sem freio algum na língua.
— Não exagera, Bárbara. — Respondi, suspirando.
— Vamos subir, Bárbara. — Tentei mudar o foco e tirá-la dali. Os dois falando besteiras ao mesmo tempo era demais para mim.
— Preciso falar com vocês. Vocês dois. — Disse ela, de repente, com um tom mais sério e uma careta. Eu e Henry nos olhamos, e percebi que ele ficou tenso. Afinal, Bárbara esteve com dona Elisângela. Será que algo aconteceu?
— Xi… lá vem bomba. — Falei sem pensar. Saiu automaticamente, sem querer, mas percebi que Henry ficou desconfortável. Ele abaixou a cabeça e bagunçou os cabelos, um gesto que sempre faz quando está nervoso ou desconfortável. Na mesma hora, percebi meu erro. Levantei-me, fui até ele e o abracei, segurando seu rosto para que me olhasse. Beijei seus lábios com carinho.
— Desculpa. Exagerei. — Disse, sincera, surpresa até comigo mesma pela atitude. Não costumava ser tão carinhosa, principalmente depois de tudo que passamos. Talvez sua mudança esteja influenciando a minha.
— Não tem problema. Pela careta da Bárbara, já sabemos que não é nada agradável. — Respondeu ele, tentando suavizar a situação. Isso me tranquilizou um pouco, mas ainda odeio a ideia de magoá-lo, ou qualquer pessoa, na verdade.
— Olha, não é mesmo. Mas saibam que estaremos juntos, unidos, e estou com vocês para o que der e vier, ainda mais agora que vejo que realmente estão se dando bem. Vocês se amam, pelo amor de Deus, não deixem pessoas nojentas como a Renata separá-los. — Bárbara falou com determinação, enquanto eu alisava a mão de Henry, tentando transmitir que estava ao seu lado.
— Pois diga logo o que quer, Bárbara. — Henry pediu, visivelmente tenso.
— Mano, não adianta ficar tenso. A Renata não desistiu de te atormentar, e quero que coloque isso na sua cabeça para não se assustar depois. — Bárbara falou diretamente, como sempre.
— Porra, que caralho! — Henry levantou-se de repente, e sem pensar, socou a parede. O som seco ecoou pela sala, fazendo meu coração apertar. Odeio vê-lo assim. Sinceramente, o ciúme dele não me incomoda tanto, mas essa irritação descontrolada me deixa aflita, porque nunca sei como ajudá-lo.
— Calma, Henry. Vamos ouvir a Bárbara antes de tirarmos conclusões. — Disse, tentando não me aproximar de imediato. Ele estava furioso, e sabia que precisava de um momento.
— Não quero ouvir nada! Quero matar aquela mulher, esganar ela para nunca mais ter que ver sua cara na minha frente! — Ele respondeu com raiva, me deixando apreensiva.
— Henry, para com isso, entendeu? — Fui até ele, mesmo sabendo que estava nervoso. Segurei seu rosto com as mãos, obrigando-o a me olhar. — Não quero te ver assim, instável. Como vai passar confiança para nós agindo desse jeito? — Perguntei firme, tentando trazê-lo de volta à razão.

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