Aeliana pretendia entrar ali para, com calma, se livrar do disfarce.
No entanto, assim que virou a esquina do beco e sua silhueta foi engolida pela primeira faixa de sombra, um alerta silencioso disparou em sua mente.
Havia algo errado.
Um calafrio, a nítida sensação de estar sendo observada, começou a subir lentamente por sua espinha.
Na verdade, não era a primeira vez que sentia isso naquela noite.
Aeliana hesitou por uma fração de segundo, quase imperceptível, confirmando a suspeita de que a situação havia saído dos trilhos.
Essa intuição a acompanhava, num vaivém constante, desde o momento em que deixara a mansão da família Barreiros.
Mais cedo, ainda no táxi, ela havia notado pelo retrovisor uma moto que a seguia a uma distância calculada. Naquela hora, Aeliana supôs que Raimundo, sempre cauteloso, tivesse ordenado que alguém a escoltasse em segurança.
Agora, o cenário parecia bem diferente.
Se fossem os homens de Raimundo fazendo a escolta, já teriam recuado, pois ela já estava perto do hotel. Por que a seguiriam até aquele beco deserto?
Não fazia o menor sentido.
A menos que o objetivo deles não fosse exatamente escoltá-la, mas outra coisa.
Ou talvez quem a seguia...
Nem sequer pertencesse à Thelxinoe do Litoral.
O ar dentro do beco pareceu esfriar de repente.
Aeliana sentia o peso daquele olhar cravado em suas costas, denso e avaliador.
No exato instante em que ela parou instintivamente, a sombra na entrada do beco também se moveu de leve.
A brasa avermelhada de um cigarro piscou na escuridão.


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