Ficava evidente que o homem em seu encalço não trabalhava para Raimundo.
Pertencia a outro grupo e provavelmente a estava vigiando desde que ela saíra da mansão.
Com o raciocínio a mil, Aeliana não alterou o ritmo dos passos. Continuou caminhando com uma tranquilidade forjada, como se estivesse completamente alheia à perseguição.
No entanto, sua mente trabalhava a toda velocidade.
Ela não sabia a qual facção eles pertenciam. O fato de a seguirem por tanto tempo sem atacar indicava que não queriam chamar atenção nem espantar a presa.
Mas, com eles em sua cola, seria impossível se livrar do disfarce. Além disso, Jocelino e Wallace Rodrigues ainda a esperavam no hotel.
Se enrolasse mais, a noite avançaria ainda mais.
Aeliana tomou uma decisão rápida. Se eles a haviam rastreado até ali, tinham um objetivo claro. Ela precisava assumir as rédeas da situação, descobrir quem eram e, ao mesmo tempo, isolar o perigo.
De jeito nenhum poderia levar aquele problema para o hotel e arriscar a identidade da Sra. Porto.
Sem vacilar, analisou o entorno. As luzes de uma loja de conveniência 24 horas brilhavam mais à frente, formando um pequeno refúgio iluminado. Havia fluxo de pessoas entrando e saindo, comprando cigarros ou bebidas. Apesar da hora, o lugar tinha movimento.
Era lá mesmo.
Sem quebrar a cadência, ela ajustou a rota com sutileza e caminhou em direção à entrada da loja.
Ao entrar no círculo de luz da conveniência, Aeliana parou, virou-se de costas para a rua e acomodou sua velha maleta de couro no chão, ao lado dos pés.
De soslaio, lançou um olhar discreto para trás.
Na diagonal, o sujeito de jaqueta cinza-escura mantinha os olhos fixos nela.
Quando Aeliana olhou em sua direção, ele rapidamente desviou o olhar, evitando contato visual.
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