Helena deu um tapa na nuca dele.
— O que você está imaginando?
Tomás esfregou a cabeça.
— Eu só não entendo por que ela também gosta de você.
— Qual é o problema? Sua chefe aqui tem uma personalidade excelente e é cativante. Não posso agradar homens e mulheres?
Tomás torceu o nariz.
— Não é isso que eu quis dizer. Só acho que...
A concorrência já era acirrada o suficiente. Como é que as mulheres também estavam entrando na disputa para roubar sua chefe?
Isso era uma tremenda injustiça.
— Acha o quê? Fala direito.
— Na... nada não.
— Já tem alguma notícia do Vasco Santos? — perguntou Helena, mudando de assunto.
— Não. Meu pessoal está de olho, mas parece que ele não está na Cidade Capital. Provavelmente está escondido no exterior.
— Mais cedo ou mais tarde, ele vai voltar. O momento apenas não chegou. Mas continue de olho nele. E preste muita atenção nos seus homens para garantir que não haja traidores. Se alguém for comprado pelo Vasco Santos, as consequências serão catastróficas.
Tomás assentiu seriamente.
— Certo, pode deixar. Chefe, volta para a Confraria do Meridiano Negro comigo! Faz tanto tempo que eu não te vejo.
— Estou sem tempo. Aliás, e a Iracema Soares? Faz um bom tempo que não a vejo também. O que ela tem feito?
Ao ouvir o nome de Iracema, Tomás abaixou a cabeça, e sua expressão mudou.
— O que foi? Vocês brigaram?
— Meio... meio que sim. Ela não está na Confraria. Na verdade, ela nem está na Cidade Capital. Acho que voltou para a cidade natal dela já faz um tempo.
— E o que ela foi fazer lá?
— Isso eu não sei.
— Como você não sabe?! Você não se importa nem um pouco em procurar saber? Esquece, quando eu tiver um tempo livre, dou um pulo na cidade dela para ver como as coisas estão.
Helena sentiu que andava negligenciando Iracema ultimamente.
Tomás abaixou a cabeça de novo e ficou calado.
— Tudo bem. Por favor, volte e diga à sua senhorita que a família Gomes com certeza dará uma resposta adequada para isso.
A velha senhora era muito astuta. Ela não concordou em pagar o dinheiro, apenas prometeu uma justificativa.
O mensageiro assentiu e foi embora.
Adelina Gomes, esposa do segundo filho, perguntou, ainda atônita:
— Mãe, são trinta milhões! Nossa família vai ter que pagar uma fortuna dessas do nada? O que deu na Roberta? Ela não foi lá só para participar de um banquete? Como ela conseguiu ofender a herdeira da família Silveira?!
Eduardo Gomes também entrou na conversa:
— Eu disse desde o começo que deveríamos ter mandado a Catarina. Mas a senhora insistiu em mandar a Roberta, e olha o tamanho do desastre que ela causou.
A família do terceiro filho, vendo que a culpa estava recaindo sobre eles, logo começou a defender Roberta.
Laura deu um passo à frente.
— Mãe, será que não houve algum mal-entendido? A Roberta sempre foi educada, controlada e sabe o seu lugar. A senhora conhece a prudência dela. Será que a outra família não se confundiu?
A matriarca esbravejou, irritada:
— Que confusão o quê?! A família Silveira bateu na nossa porta para cobrar! Você acha que eles iam se confundir? A propósito, onde está a Roberta? Ela foi a um banquete, como é que não voltou até agora?!

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