Enquanto todos se perguntavam onde ela estava, Catarina entrou na sala.
— Pelo visto, a Roberta não tem nem coragem de voltar para casa! — alfinetou Catarina, de propósito.
— Catarina, como você sabe disso? — perguntou Adelina Gomes.
— Porque eu também fui hoje, e vi com os meus próprios olhos a Roberta causar confusão e ainda por cima bater de frente com a Srta. Lucimar Silveira. Se a família Silveira veio até a nossa porta, o mérito é todo dela! Eu já tinha dito que ela não tinha perfil para ir a esse tipo de evento. Mas fizeram questão de mandá-la, e agora toda a nossa família carrega essa dívida imensa sem ter culpa de nada.
Laura questionou, indignada:
— Se você estava lá, por que não aconselhou a Roberta? Você é alguns meses mais velha, é como uma irmã para ela. Como pôde simplesmente ficar olhando ela causar problemas?
Catarina cruzou os braços e respondeu, com desdém:
— Eu até quis avisar, mas a Roberta estava tão cheia de si que até me deu um sermão. Disse para eu não arrumar confusão, para não manchar o nome da família. Quem diria que essa regrinha só servia para os outros e não para ela? Ela mesma ofendeu a herdeira dos Silveira. O que eu poderia fazer numa situação dessas?
A família do terceiro filho ficou sem argumentos, engolindo em seco.
A velha senhora perdeu a paciência:
— O que estão esperando?! Liguem para a Roberta e mandem ela voltar agora mesmo para explicar essa história!
Laura tremeu de medo e rapidamente pegou o celular para ligar para a filha.
Quando o celular de Roberta tocou, ela ainda estava na rua.
Ela estava encolhida em um canto escuro, sentindo-se totalmente vulnerável.
Desde que saiu do banquete, não teve coragem de ir para casa.
Ela sabia perfeitamente o que a aguardava quando passasse por aquela porta.
Durante todos esses anos, ela se esforçou para se portar como uma verdadeira dama da alta sociedade, sendo a neta perfeita aos olhos da avó.
Mas, no fim das contas, ainda era olhada de cima a baixo e sofreu uma humilhação pública.
Seu orgulho havia sido destroçado.
— Alô, Roberta? Por que você ainda não voltou? Aconteceu um desastre aqui em casa! Mandaram um representante da família Silveira cobrando uma indenização porque você arruinou o vestido da Srta. Lucimar. Sua avó quer você aqui imediatamente para se explicar...
Laura disparou a falar, com a voz carregada de pânico.
Com lágrimas nos olhos, Roberta apenas respondeu com uma voz gélida:
— Já entendi.
— Diretor Domingos, sinto muito. Ela forçou a entrada... — disse Alana, a assistente, olhando para Isaque, apreensiva.
— Pode sair.
Alana recuou e fechou a porta. Roberta deu alguns passos à frente.
Isaque Domingos segurava uma pedra decorativa, apertando-a firmemente com os dedos.
— Secretária Roberta, por que toda essa pressa para falar comigo? E espero que seja algum assunto de trabalho. — O tom de Isaque carregava um aviso claro.
Roberta esfregou os dedos, nervosa. Ela não tinha outra saída agora; Isaque era sua única tábua de salvação.
Ela estava prestes a jogar todas as suas fichas!
Ela ia apostar!
Apostar que Isaque sentia algo por ela, que a via de forma especial.
Caso contrário, por que, entre dezenas de candidatos, ele havia escolhido justamente ela para trabalhar no seu escritório como sua secretária pessoal?
Ela era apenas uma novata!

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