Ele já tinha sentido na pele do que Helena era capaz. Ela não era o tipo de pessoa que se deixava pisar.
E Lucimar definitivamente não era páreo para ela.
— Que foi? Você não acabou de dizer que não sentia mais nada? Por que tá tão preocupadinho agora?
— Não é isso. Eu só tô te avisando que a Helena não é flor que se cheire. Ela sabe brigar. Toma cuidado para não acabar sobrando pra você. Lucimar, escuta aqui, acho melhor deixar isso quieto. Eu não tenho mais nenhum contato com ela mesmo.
— Cala a boca! Você não manda em mim! — retrucou Lucimar, com sua típica arrogância.
Quanto mais Marcos tentava proteger Helena, mais o ódio de Lucimar crescia.
***
Naqueles últimos dias, Helena mal havia sido provocada por Elaine Lima na empresa.
A chefe parecia ter desistido de pegar no pé dela, limitando-se a passar tarefas rotineiras, sem a acidez de antes.
Tanta calmaria estava deixando Helena desconfiada.
Na hora do almoço, o celular dela tocou. Era Chloe.
— Oi, Chloe, aconteceu alguma coisa?
— Senh... Srta. Helena, por favor, venha até a mansão da Família Silveira. O jovem mestre Benjamim está fazendo um escândalo atrás de você e ninguém consegue acalmá-lo.
— Tudo bem. Chego em alguns minutos.
Helena desligou e não pensou duas vezes antes de sair.
Do outro lado da linha, Chloe abaixou o celular e olhou nervosa para Lucimar Silveira, que estava de pé ao seu lado.
— Srta. Lucimar, o que você pretende fazer? Me obrigar a ligar e mentir para a Srta. Helena desse jeito não é certo...
— Chloe, o seu trabalho é fazer exatamente o que eu mando. O resto não é da sua conta.
— Mas isso não está certo. A Srta. Helena não tem nenhuma obrigação com o ramo principal da família, mas ela tem um coração bom e sempre cuidou do jovem mestre Benjamim. Se você armar uma armadilha pra ela, no futuro...
— Chloe, quem manda aqui? Eu ou você? Para de falar besteira e vai cuidar da minha mãe. E não se esqueça: bico calado. Se abrir a boca para a minha mãe, eu coloco você no olho da rua!
Sob a ameaça de Lucimar, Chloe engoliu as palavras e saiu cabisbaixa.
Seu coração, porém, estava apertado de culpa por Helena.
Assim que Helena pisou nos terrenos da Família Silveira, seu telefone tocou novamente. Era Daniel.
— Helena, o que está fazendo?
Lucimar estava encostada na parede, de braços cruzados, esperando por ela.
— Exatamente. Fui eu. Você caiu feito uma patinha, Helena!
Ao sinal dela, mais de dez seguranças brutamontes saíram das sombras e cercaram Helena por todos os lados.
Helena apenas soltou um sorriso irônico e plácido.
— Então era esse o seu joguinho?
A tranquilidade dela irritou Lucimar.
— Do que você está falando? Por acaso já sabia?
— É óbvio. Quando a Chloe me ligou, eu percebi na hora que tinha algo errado. Se o Benjamim estivesse mesmo descontrolado, ela estaria em pânico, e não falando comigo de forma tão calculada e gaguejando. Eu deduzi na hora que tinha dedo de alguém nisso.
— E mesmo sabendo que era uma armadilha, você veio?!
— Se eu não viesse, como eu ia descobrir que plano ridículo você estava tramando?
Lucimar trincou os dentes, surpresa com a arrogância inabalável de Helena.
— Perfeito! Já que você fez tanta questão de vir procurar a própria morte, eu vou realizar o seu desejo!

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