Todos prenderam a respiração e soltaram o ar aliviados quando ela saiu.
— Meu Deus! Eu não tô sonhando, né? A Tereza Souza é a presidente?!
— Isso significa que ela é a verdadeira filha do chefão da empresa... e aquela Antonieta Malta era uma fraude!
— Por isso a Antonieta não pisou mais aqui nos últimos dias! Ela já devia saber que a casa caiu!
— Lascou! Eu falei mal da presidente na cara dela! Zombei dela por causa daquele vestido... Será que ela vai se vingar de mim? Será que eu sou o próximo a rodar?
— Eu também tô ferrado. Quando fomos na mansão da família Freitas, ela disse que era a herdeira e a gente riu da cara dela.
— No fim das contas, os palhaços éramos nós! A coitada tava só disfarçada de estagiária!
— Que vontade de me dar um tapa na cara! Como eu fui tão cego? A Antonieta Malta era pura falsificação. Confundimos bijuteria barata com pérola verdadeira.
— Calma, gente, acho que a presidente não é mesquinha a esse ponto. Ela não falou nada sobre punir o resto da equipe, né? Só rodou a supervisora Lopes...
Enquanto cochichavam, o pessoal lançava olhares furtivos e cheios de deboche para Edileuza Lopes.
No fundo, todos adoraram a demissão dela.
Desde que assumira o cargo de supervisora, Edileuza extorquia subornos e presentes da própria equipe. Ninguém suportava mais a cara daquela mulher.
-
Após ser escorraçado da empresa, Hector Domingos correu direto para o seu apartamento.
Assim que abriu a porta, deparou-se com Antonieta Malta largada na cama, jogando no celular como se não tivesse nenhuma preocupação na vida.
A dondoca estava numa paz invejável.
Lembrar de toda a humilhação que acabara de passar na empresa fez o sangue de Hector ferver.
Ele invadiu o quarto como um furacão, arrancou o celular das mãos de Antonieta e o espatifou contra a parede. Em seguida, agarrou-a pelos ombros.
— Por quê?! Por que você fez isso?!
Antonieta ficou em choque.
Ela estava tão distraída com o jogo que nem ouviu Hector chegar.
Ele apontou para o próprio peito, desvairado. — Eu fui jogado na rua, feito um lixo, na frente de todo mundo! Minha dignidade foi estraçalhada!
— Antonieta Malta, eu só quero ouvir uma coisa da sua boca agora. Você é ou não é a filha do presidente do conselho?! Você é ou não é a herdeira da família Freitas?!
A ficha de Antonieta finalmente caiu.
Ele tinha descoberto. O teatro tinha acabado.
Lágrimas grossas e cheias de autopiedade começaram a rolar pelo rosto dela.
— Hector, eu... eu sou só a Antonieta Malta. O presidente da empresa não é meu pai. Me desculpa.
— Se você não é a filha dele, como caralhos você entrava e saía da mansão dos Freitas?! E por que o presidente não te desmascarou naquele dia no jantar?!
— Por causa do meu pai. O mordomo da casa... O mordomo Bruno é meu pai.
Ela soluçou, desesperada. — O presidente teve pena do meu pai e não quis me expor na frente de todos.
— Hector, eu não queria te enganar! Eu juro que não foi por mal! Hector... me perdoa! Por favor! Buááá! Eu não quero te perder!

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