Um grito de horror ecoou pelos ares.
Todos viraram a cabeça na direção do som e viram que as pérolas reluzentes do vestido de Victória haviam ficado completamente pretas, como se tivessem sido cobertas de lama.
Deise lançou apenas um olhar para Victória, virou o rosto e continuou a conversar com Hilda.
Para alguém como Victória, gastar um segundo a mais de atenção era uma pura perda de tempo.
Palmiro também desviou o olhar.
Não que ele não tivesse visto o olhar suplicante de socorro que Victória lhe lançara.
Mas o salão estava repleto de figuras ilustres e poderosas. Se ele fosse ajudar Victória, com certeza seria alvo de fofocas também.
Portanto, em uma situação como aquela, a sua única opção era fingir que não tinha visto nada.
— Irmão...
Victória estava paralisada.
Ela tinha visto claramente que Palmiro olhou para ela, mas logo virou as costas para continuar rindo e conversando com Deise.
E ali estava ela, a única piada de toda a celebração de aniversário.
O seu mundo desmoronava por dentro. Se pudesse, Victória gostaria de sentar no chão e chorar aos prantos.
No entanto, ela não podia fazer isso.
Ignorando o chocolate que pingava sem parar do seu corpo, Victória correu para fora do salão, completamente desnorteada.
Ela não deixaria isso barato de jeito nenhum!
Enquanto o garçom limpava o chão, Palmiro olhou de relance para as portas do salão.
Ele não viu o rastro de Victória.
Ao mesmo tempo em que soltou um suspiro de alívio, não pôde deixar de ficar preocupado.
Embora Victória o tivesse envergonhado terrivelmente naquela noite, ela não deixava de ser a mulher que ele amava.
Após muita hesitação, Palmiro pegou o celular com a intenção de ligar para Victória.
Antes que pudesse completar a chamada, a mão de Deise segurou o aparelho.
— Marido, para quem você quer ligar?
Com a pergunta de Deise, Hilda, Walace e os demais viraram-se para Palmiro.
Palmiro abriu a boca, incapaz de dizer que queria ligar para Victória.
— Para ninguém, eu só ia olhar as horas.
Palmiro guardou o celular de volta no bolso.
Deise sorriu.
Ela sabia perfeitamente bem que Palmiro queria ligar para Victória. A preocupação estampada no seu rosto era óbvia até para um cego.
Ela não expôs a farsa de Palmiro e não tocou mais no assunto.
Para ela, o fato de Palmiro não insistir em levá-la para casa era, de fato, um alívio.
Quando chegou ao Dourado Celeste, já era madrugada.
Ao descer do táxi, Deise olhou instintivamente para cima.
As luzes do 56º andar do arranha-céu central estavam acesas.
Deise sentiu um baque.
— O William voltou?
Ela praticamente correu para o elevador, mas, ao chegar à porta de casa, uma ansiedade inexplicável tomou conta dela.
Desta vez, teria que dar a William uma explicação sincera sobre o porquê de tê-lo deixado sozinho naquele dia.
Parada em frente à porta, antes mesmo que pudesse digitar a senha, ela se abriu de repente.
Deise levantou a cabeça e o rosto de William, tão bonito que faria os deuses sentirem inveja, invadiu abruptamente o seu campo de visão.
Em um instante, Deise prendeu a respiração.
Aquela era a primeira vez que ficavam cara a cara desde que haviam se separado na Ponte à Beira do Rio.
William parecia ter acabado de sair do banho. O seu cabelo, que normalmente era coberto de pomada e penteado com rigor, agora estava úmido e desalinhado.

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