Na tela de seu computador, estava aberta uma notícia da área farmacêutica sobre a saída de Emerson da equipe de Fagner para seguir carreira solo.
Assim que viu a expressão de Deise ao sair, Victória soube imediatamente que a rival havia levado um fora de Palmiro. O humor de Victória foi às nuvens.
Palmiro mostrou o projeto de Deise para Victória.
— O que você acha?
— Eu acho que...
Victória acariciou o queixo, fingindo entender do assunto com um ar de sabedoria.
Na realidade, ela pouco entendia os termos técnicos descritos ali, mas a fileira de números astronômicos indicava que se tratava de um projeto de proporções gigantescas.
— Um investimento de cinco bilhões? A Deise ficou louca!
— Hum...
Palmiro parecia imerso em seus pensamentos.
Victória notou que, apesar da expressão de preocupação, Palmiro não descartara de vez a proposta de Deise. Parecia, na verdade, estar considerando a ideia com bastante seriedade.
Do lado de fora do prédio da empresa, Deise havia acabado de comprar o almoço e aproveitava para caminhar um pouco e esticar as pernas.
No pequeno jardim, ela segurava uma sacola térmica numa mão e, com a outra, falava ao celular.
— Mestre, dessa vez eu apostei todas as minhas fichas. Até mandei o meu braço direito para você se esbaldar...
— Parou, parou! — Deise rapidamente interrompeu Fagner. — Por acaso eu pareço algum tipo de vilã que sai sequestrando inocentes?
— Não... Eu só queria saber se o nosso novo medicamento contra o câncer vai realmente sair do papel dessa vez.
— Desde que o investimento chegue como o esperado, as chances são ótimas.
— E de quanto você precisa de investimento?
— Cinco bilhões.
Fagner, do outro lado da linha, ficou em silêncio por um instante.
Cinco bilhões em financiamento para pesquisa e desenvolvimento era um valor até comum na indústria deles.
Contudo, levando em conta o nível e o porte do Grupo Marques, era um preço astronômico.
— Seu marido vai topar pagar isso?
Deise diminuiu os passos até parar. O vento, que deveria estar abafado, de repente pareceu soprar mais fresco.
Os cantos de seus lábios se ergueram num sorriso:
— Com o teatro bem armado... ele com certeza vai morder a isca.
Como o meu irmão consegue ser tão idiota!
A noite caiu e as luzes da cidade começaram a se acender.
No Salão Dourado, no segundo andar do Costa Dourada, um elegante coquetel estava sendo realizado.
Tratava-se de um evento corporativo organizado pelo próprio Emerson.
Era de conhecimento geral que o objetivo era atrair investidores para o seu novo laboratório independente.
Emerson fora o principal farmacêutico da equipe de Fagner no Grupo SequeiraFagner. Sua capacidade de pesquisa científica e seu nível de especialização eram tão formidáveis que muitos afirmavam que perder Emerson significava a ruína de metade do império do Grupo Sequeira.
Agora que Emerson realmente havia deixado Fagner, muitos espreitavam com ansiedade, aguardando para ver se conseguiriam tirar alguma vantagem da situação.
O salão estava repleto de convidados. Todos conheciam as intenções de Emerson, mas ninguém ousava dar o primeiro passo.
Afinal, mesmo quando estava no Grupo Sequeira, Emerson não havia sido capaz de desenvolver com sucesso a nova droga contra o câncer.
Se com todo o peso do gigante Grupo Sequeira nas costas ele falhara, tentar agora montar uma equipe provisória sozinho era motivo mais que suficiente para que ninguém quisesse se arriscar precipitadamente.
Palmiro e Gregory também estavam presentes.
A acompanhante de Palmiro era Victória.
Deise não havia comparecido.

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