Ao ouvir a resposta, Júlia balançou a cabeça e suspirou, ostentando uma expressão de resignação diante de mais uma vítima do amor cego.
— Tenho a impressão de que ele trata a irmã ainda melhor.
Deise deu um sorriso leve, optando pelo silêncio.
O fato era que Palmiro, naturalmente, tratava Victória como uma rainha.
Victória e Beatriz eram a verdadeira família aos olhos dele.
— Esquece, vamos mudar de assunto.
Júlia acenou com a mão e disse a Deise: — Eu sou uma mulher de palavra. Fui injusta com você durante o simpósio e não deixarei que sofra essa injustiça à toa. Diga, como quer que eu a compense? Pode pedir qualquer coisa, desde que esteja ao meu alcance.
Ao observar a expressão de Júlia, Deise percebeu que ela não estava sendo apenas educada, mas sim autêntica e direta.
— Sendo assim, eu quero os camundongos transgênicos humanizados do Instituto de Pesquisa da Universidade Alvorália.
Júlia encarou Deise com espanto.
— Você não vai nem fazer cerimônia?
Deise riu.
— Por que eu faria cerimônia com você? Foi você mesma quem se ofereceu para me compensar; aceitar o seu pedido só vai deixá-la com a consciência mais tranquila. E, de toda forma, foi você quem tirou conclusões precipitadas e me atacou no simpósio, logo, essa compensação é algo que eu mereço.
A argumentação de Deise foi tão certeira que Júlia não conseguiu segurar a risada.
— Gostei da sua ousadia... Camundongos transgênicos humanizados, certo? Prepararei tudo para você assim que voltar ao instituto.
— Muito obrigada, Diretora Júlia.
Tendo dito isso, Deise bateu mais um papo com Júlia sobre alguns assuntos de farmacologia antes de se virar para ir embora.
— Sra. Paiva...
Deise estacou e olhou por cima do ombro para Júlia.
— Não é nada.
Júlia balançou a cabeça, engolindo as próprias palavras.
Se a sua memória não falhava, no parque de diversões, ontem, a filha de Victória havia chamado Palmiro de "papai".
E não apenas uma vez.
Júlia não podia considerar Deise uma amiga, no máximo uma conhecida.
Deise, como de costume, bebia o seu refrigerante sabor lichia.
— Então, agora que o seu experimento rompeu a barreira, os dias de glória daquele lixo de homem também estão com os dias contados, não é?
Era nítido o quanto Susana estava ansiosa pelo seu divórcio com Palmiro. Deise deu um leve sorriso, erguendo a garrafa de refrigerante na direção da amiga.
Os dias de glória de Palmiro realmente estavam prestes a acabar.
O dia em que o seu novo remédio contra o câncer fosse desenvolvido com sucesso seria exatamente o mesmo dia em que o Centro de Saúde Marques abriria o seu capital na bolsa.
E quando isso acontecesse, Palmiro acreditaria estar no auge absoluto da sua vida.
A garrafa de álcool colidiu com a de refrigerante em um tinir cristalino.
Bem no meio da confraternização de Deise e Susana, o celular de Deise tocou de repente.
O identificador de chamadas exibia o nome de Rafael Paiva.
Durante a chamada inteira, Deise não pronunciou uma única palavra, apenas escutou em silêncio o que Rafael dizia do outro lado da linha.
Ao desligar, Susana notou que a expressão de Deise havia escurecido de forma perturbadora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciei-Me e Casei com o Homem Mais Rico