A expressão de William era nula, mas suas palavras cortavam como navalhas.
O pânico apossou-se de Palmiro instantaneamente.
— Deise, não dê ouvidos a essas asneiras. A Victória e eu somos irmãos. Eu cuido bem da Beatriz apenas porque ela é filha do falecido Vivian, ela é nossa sobrinha!
Ele despejou essas frases com uma veemência retumbante.
Falava rápido e com um tom pesado.
Mas tamanho fervor só serviu para evidenciar sua culpa e ansiedade.
— Tem razão! Victória é sua irmã, e é natural que você trate a filha dela como se fosse sua.
Deise acompanhou a linha de raciocínio de Palmiro.
Palmiro olhou para Deise, com os olhos transbordando de alívio.
Deise era realmente muito compreensiva, madura e sensata.
E quanto mais Deise demonstrava essa postura, mais saltava à vista o veneno no coração de Victória.
As emoções de Palmiro oscilavam drasticamente entre a surpresa agradável e a desilusão.
A surpresa vinha de Deise.
E a desilusão vinha de Victória.
Guiados por Palmiro, Deise e William chegaram ao quarto de Beatriz.
Beatriz ainda não havia recobrado a consciência, mas o médico garantiu que seus sinais vitais estavam normais e que, provavelmente, despertaria no dia seguinte.
— Pretendo passar a noite aqui com a Beatriz...
Palmiro deixou a frase no ar, insinuando o resto.
Sendo Deise sua esposa, se ele ia ficar, o natural seria que ela ficasse ao seu lado.
Isso é o que mandava a cartilha de um bom casamento.
Ela não poderia simplesmente abandoná-lo sozinho no hospital para fazer companhia a William, poderia?
Palmiro aguardou cheio de expectativas que Deise se oferecesse para passar a noite com ele.
— Como a Beatriz está fora de perigo, vou indo. Tenho assuntos da empresa para resolver e precisarei fazer hora extra hoje à noite, então não poderei ficar com você aqui.

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