Se havia um endereço que definisse o auge do prestígio em Cidade Nova, esse lugar era o Distrito Palmeira.
Deise passou no supermercado para comprar alguns mantimentos e dirigiu de volta para o coração da área mais nobre do distrito, onde ficava o condomínio de ultra luxo —
Dourado Celeste.
O complexo consistia em apenas três arranha-céus residenciais que perfuravam as nuvens, dispostos em uma formação triangular, como três lâminas cravadas na artéria vital da cidade.
As fachadas de vidro cinza-espacial, repletas de tecnologia, refletiam o brilho das inserções de ouro mica entre os andares.
Ali, não existiam apartamentos com menos de trezentos metros quadrados. As residências começavam apenas a partir do 20º andar; tudo abaixo disso era dedicado a uma infraestrutura de lazer de extrema opulência.
Um apartamento por andar, segurança total, garantindo que a privacidade dos moradores fosse inviolável.
Carregando várias sacolas, Deise pegou o elevador para o 56º andar.
A partir de hoje, ela moraria ali.
Que sensação maravilhosa!
Deise digitou a senha, abriu a porta e, com alegria, pendurou suas novas aquisições no closet da suíte principal, especialmente aquele acessório de cabelo que Victória havia tentado disputar com ela. Deise o colocou na cabeça, admirando-se no espelho.
Depois de trocar de roupa por algo mais confortável, ela amarrou o avental e foi para a cozinha.
Embora fosse a senhorita da Família Paiva, Deise sabia cozinhar.
Ela sabia que, aos olhos de Rafael e Palmiro, talvez não passasse de uma inútil sem talentos.
Mas, pelo menos, de fome ela não morreria.
Ela sempre se lembrava do que sua mãe costumava dizer:
— Saber cozinhar é uma forma de recompensar a si mesma.
Porque, por melhor e mais cara que fosse a comida de um restaurante, jamais teria o sabor de casa.
Deise preparou dois pratos caseiros simples: uma fritada de tomates e ovos, e camarões salteados com castanha-de-caju.
Fáceis de fazer e deliciosos.
Assim que ela serviu a comida e se sentou à mesa, a porta se abriu de repente.
William entrou.
Como sempre, vestia terno preto e luvas brancas, e seu rosto esculpido, de traços marcantes, estava tão frio quanto uma lápide.
— Ah, você chegou na hora certa. Acabei de fazer o jantar, venha comer comigo!
Deise acenou para William.
Nos olhos profundos e sombrios de William, surgiu uma emoção complexa, mas a expressão em seu rosto permaneceu gélida.
Ele encarou Deise. Talvez fosse a primeira vez que a via vestindo roupas de ficar em casa, pois olhou por um longo tempo.
Será que ele estava a repreendendo com o olhar novamente?
A reação de William deixou Deise, que o cumprimentara com tanto entusiasmo, um pouco sem graça.

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