— Muito obrigada!
Uma bolsa tão cara era algo que, sinceramente, ela preferia não aceitar.
Havia pouco tempo recebera o colar de diamantes e rubis, uma herança de família de William, e ainda nem tinha conseguido devolvê-lo. E agora, ganhava uma bolsa daquelas.
Notando um traço de constrangimento e hesitação no sorriso de Deise, William abriu os lábios finos:
— Estou pressionando você demais?
— Um pouco.
Deise não hesitou em ser honesta e assentiu.
— Então transforme essa pressão em motivação!
— Em motivação?
Ela inclinou a cabeça, confusa, e perguntou a William:
— E como eu faço isso?
William se inclinou levemente, aproximando-se do rosto dela.
A distância entre os dois praticamente desapareceu, e seus corpos quase se encostaram.
Deise sentiu um frio na barriga inexplicável.
— Em motivação para se apaixonar por mim.
Com aquela frase, o coração de Deise disparou.
Imediatamente, ela o empurrou de leve, restabelecendo uma distância segura entre os dois.
— Do jeito que você fala, parece que sou uma interesseira que vai cair de amores só porque ganhou umas joias e umas bolsas de grife.
Deise falou num tom de brincadeira, mas William entrou em pânico na mesma hora.
— Não foi isso que eu quis dizer.
Seus ombros foram subitamente agarrados por ele, e ela parou atônita.
O rosto de William, a poucos centímetros do seu, carregava uma expressão séria, mas não pronunciou nenhuma palavra.
Ela sentiu que havia falado algo errado, causando aquela inquietação e aflição nele.
Os lábios finos e sensuais de William se entreabriram, movendo-se como se fossem falar, mas som algum saiu.
Ele queria apenas dizer a Deise que desejava dar-lhe o que houvesse de melhor no mundo.
Jamais havia cortejado outra mulher em sua vida e não fazia ideia de como conquistá-la de verdade.
Percebendo que ele lutava internamente para encontrar as palavras certas, Deise não tentou se soltar de suas mãos; permaneceu parada, deixando-se ser segurada pelos ombros.
Ele tinha muita força, mas em momento algum lhe causara qualquer dor.
— Deise!
Uma voz estridente e repentina a fez franzir a testa.
Era uma voz que conhecia muito bem.
Ao mesmo tempo, ela e William viraram o rosto e deram de cara com um Palmiro possesso de raiva vindo em sua direção.
Deise lembrava que Palmiro sempre mantivera uma postura arrogante de playboy, e raras vezes se mostrara tão descontrolado.
No entanto, enquanto Deise pensava assim, William tinha outra opinião.
Ele permaneceu em silêncio, mas lançou ao gerente um olhar tão avassalador que o homem suou frio, sem ousar respirar direito.
— Foi a primeira vez que notei... o quão ineficiente é a segurança da loja de vocês.
Apavorado com as palavras, o gerente se desculpou dezenas de vezes e logo ordenou que os funcionários embalassem dois lenços de seda para dar a Deise como pedido de perdão.
Deise deu um leve puxão na manga do terno de William.
— Deixa isso para lá, eles só estão fazendo o trabalho deles... E, além do mais, aquele seu chute foi sensacional.
Ao vê-la fazer um sinal de joia para ele, a expressão congelada de William derreteu-se instantaneamente, dando lugar a uma suavidade imensa.
— Me elogie de novo.
— ... O quê?
— Eu gosto de ouvir.
Com a sensação de que William estava fazendo manha, Deise fez um bico e pigarreou.
— O jeito que você me defendeu agorinha foi incrível! Muito másculo.
— Então...
Subitamente, William colocou a mão atrás da cabeça dela e a puxou contra o seu peito.
Sua voz rouca e magnética roçou-lhe a orelha, como uma pluma acariciando seu coração.
— Já que te protegi com tanta elegância, não acha que eu mereço um beijo por sua própria iniciativa?

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