O quarto inteiro exibia um tom vermelho-escuro, criando uma atmosfera misteriosa, íntima e erótica.
A enorme banheira em formato de coração já estava cheia de água quente, com a superfície coberta por pétalas de rosas vermelhas.
Sobre a mesa de cabeceira, havia alguns pequenos brinquedos eróticos. Embora discretos, eram chamativos o suficiente para não passarem despercebidos.
Deise Paiva virou-se, com a intenção de ir embora na mesma hora.
— Você vai me deixar aqui?
A voz magnética de William Branco soou perto de seu ouvido, suave e com um leve toque de mágoa.
Incapaz de simplesmente abandonar o ferido William, Deise não teve escolha a não ser engolir em seco e entrar com ele naquele quarto temático.
Apesar do clima romântico do ambiente, pairava no ar uma nítida essência de sensualidade.
No entanto, toda a atenção de Deise estava voltada para limpar os ferimentos de William.
— Vai doer um pouco. Tente aguentar.
— Tudo bem.
— Se doer muito, pode me falar. Eu converso com você para tentar distrair a sua atenção.
— Uhum.
Como de costume, William não era de falar muito.
Deise também não disse mais nada e começou a tratar os machucados na mão dele.
Ela cuidava de tudo com extrema cautela, tornando o processo bastante demorado.
Como William usava luvas de seda na hora do acidente, era fundamental garantir que nenhuma fibra do tecido ou caco de vidro ficasse encravado na carne.
Por diversas vezes, ela achou que ele fosse gritar de dor.
Teria sido melhor se ele gritasse; pelo menos assim ela saberia quando ele estava sofrendo.
Contudo, William não emitiu um único som do início ao fim.
Permaneceu sentado diante de Deise, imóvel como uma estátua.
— Você... se estiver doendo, pode gritar. Não precisa prender, ou vai acabar passando mal.
Embora ficasse claro que o "prender" ao qual Deise se referia era sobre a dor física.
Ainda assim, era difícil para William não associar a palavra a outros sentidos.
Ele, de fato, estava se segurando ao máximo.
Seus olhos profundos, levemente avermelhados, refletiam o rosto de Deise.
Aquele rosto era de uma beleza tão inebriante que o fascinava.
A expressão de total concentração era idêntica à de quatro anos atrás.
Porém...
Ele não era mais o mesmo de quatro anos atrás.
Tão diferente que Deise sequer o havia reconhecido.

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