O futuro ainda era longo, e Deise achou melhor não insistir.
Como não havia muitas cadeiras no quarto e a mesinha era pequena, os dois sentaram-se frente a frente.
Assim que removeu a tampa de sua marmita de picadinho, Deise deparou-se com três rodelas grossas de cebola mergulhadas no molho.
William também reparou nisso e, sem pestanejar, esticou o braço para fechar a embalagem novamente.
— Vou pedir de novo.
Ele afirmou, já pegando o celular.
— Você sabe que eu não como cebola?
Deise perguntou, surpresa.
A agilidade na resposta tornava óbvio que ele tinha plena ciência de sua aversão a cebola.
Ao puxar pela memória, ela achou ligeiramente surreal o quanto ele a conhecia a fundo.
Se o fato de gostar de picadinho de carne acompanhado de guaraná pudesse ser apenas uma coincidência de gostos entre os dois...
Será que ele sabia da sua implicância com cebolas simplesmente por reparar que ela nunca as utilizava quando cozinhava para ele?
A capacidade de dedução dele era tão impressionante assim?
Deise inclinou a cabeça, intrigada.
— Eu só escolhi o lugar mais perto, não imaginava que o picadinho deles viesse lotado de cebola.
Vendo o semblante de culpa e pedido de desculpas de William, ela balançou a cabeça aos risos.
— Não faz mal, é só tirar. O cheiro de cebola nem está tão forte assim.
— Mas eu não quero que você se contente com algo que não gosta.
Assim que William terminou de dizer isso com uma sinceridade absoluta, o som de um estômago roncando ecoou pelo quarto.
Era a barriga de Deise.
— Eu tô quase morrendo de fome aqui, vamos deixar essa bobagem pra lá!
No exato instante em que ela iria dar a primeira garfada, William puxou a marmita para si e, com uma paciência imensa, começou a catar cada pequeno pedaço de cebola.
— Agora acho que já dá para comer.
Após separar toda a cebola, ele devolveu a comida para frente dela.
Deise olhou para William, e seus olhos curvaram-se em duas meia-luas sorridentes.
— Você deveria ser só mais um filhinho de papai criado a leite de pera, mas até que leva jeito para cuidar dos outros!
— O que importa é você ter me dado a chance de cuidar de você.
William retribuiu o olhar, exibindo um sorriso carregado de puro dengo.
Todavia, assim que abaixou a cabeça para comer, o sorriso desfez-se como num passe de mágica.
Até àquele momento, ele ainda não havia revelado a Deise que era, na verdade, o chefão supremo da Bio Universo.
Mas sabia muito bem que ela já havia deduzido que ele vinha de uma família com posses.

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