Posicionado atrás de Deise, Marcelo tentou intervir repetidas vezes, mas não encontrou uma brecha.
No fim das contas, ele era apenas um intruso ali.
Sem qualquer status ou origem familiar respeitável.
Contudo, o fato de Deise ter se tornado o alvo de todos agora era responsabilidade dele.
Se ele não tivesse pedido que ela o acompanhasse até a Cidade Branca para a mudança, Deise não teria chegado tão tarde ao hospital, poupando-se daquelas críticas.
Justamente quando Marcelo afundava em uma profunda culpa, escutou a voz de Palmiro proferir seu nome.
— Marcelo! A culpa é toda sua! Foi você quem atrasou a Deise.
Ao notar os olhos esbugalhados de Palmiro encarando-o, Marcelo baixou o olhar e permaneceu em silêncio.
— Palmiro, você não passa de alguém de fora. Ninguém te deu liberdade para opinar aqui!
Com essa declaração cortante de Deise, tanto Palmiro quanto Marcelo ficaram atônitos.
Palmiro jamais imaginaria que Deise protegeria Marcelo daquela forma sob o olhar de todos!
Da mesma forma, Marcelo se surpreendeu profundamente com o fato de Deise peitar Palmiro por sua causa.
— Pare de tentar jogar a culpa no Marcelo. Ele não tinha como prever o futuro...
Em seguida, Deise varreu com o olhar os parentes da Família Paiva e os altos executivos da Saúde Paiva Ltda. que até o momento a julgavam.
— E isso serve para vocês também. Estão me criticando por chegar tarde? Se chegaram tão rápido, isso só prova que já sabiam que o meu pai iria desmaiar. Sendo assim, devo deduzir que foram vocês que causaram mal a ele?
Diante de uma acusação tão grave e inesperada, alguns indivíduos na sala não contiveram a revolta.
— Mas que absurdo é esse que você está dizendo? Que tipo de pessoa inventa uma desculpa dessas para o próprio atraso?
— Como assim atraso? Por acaso o desmaio do meu pai estava com a hora marcada na agenda?
— Bem...
Sem argumentos contra o raciocínio incisivo de Deise, o crítico se calou.
Sylvia resolveu se intrometer: — Nós só achamos que a sua atitude não é adequada. O papai está internado e você ainda estava fora, em um encontro com um homem...
Normalmente, nesses momentos, cabia a Rafael intervir para aplacar a filha, mas agora ele jazia em sono profundo, respirando por aparelhos.
Bater de frente com Deise não traria bons frutos a nenhum dos presentes.
Afinal de contas, ela era a única filha biológica de Rafael.
E a pessoa que concentrava em suas mãos poder real e uma grande parcela das ações da Saúde Paiva Ltda.
Percebendo que ninguém mais ousaria confrontar Deise, Palmiro deu um passo à frente, numa tentativa desesperada de chamar a atenção dela.
— Deise, ninguém aqui quer te atacar. Nós só temos medo de que você acabe se perdendo pelo caminho errado... Pegue aquele seu namorado, por exemplo. O Presidente Paiva sofreu uma emergência dessa magnitude, e ele sequer apareceu para fazer uma visita.
As palavras de Palmiro revelavam sua intenção dissimulada de diminuir William à primeira oportunidade.
Deise revirou os olhos, exausta.
Ela mesma acabara de receber a notícia e de chegar às pressas. Se sequer havia tido tempo de avisar William, como ele poderia aparecer ali para fazer uma visita?
Quando abriu a boca, pronta para destruir os argumentos de Palmiro, batidas firmes soaram na porta do quarto.

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