Ao ver o idoso erguer o polegar em sinal de aprovação, Deise baixou os olhos, imersa em pensamentos.
Depois de jogarem conversa fora por mais um tempo, o senhor finalmente se despediu e seguiu seu caminho, meio a contragosto.
Já de volta ao carro, Deise notou a expressão pesada de Marcelo e não conseguiu se conter:
— O que houve? Você parece chateado.
Enquanto afivelava o cinto de segurança, Marcelo respondeu com um sorriso amargo:
— Não, eu não estou chateado, é só que... depois de ouvir o que ele disse, sinto ainda mais que o destino foi injusto.
Deise viu os olhos de Marcelo marejarem, deduzindo que as memórias sobre a morte do pai haviam vindo à tona.
— Eu sempre achei que o pai do Palmiro tivesse aprendido a nadar no Exército e por isso conseguiu salvar o seu...
Neste ponto, Marcelo soltou um suspiro profundo e denso.
— No fim das contas, aquele que mal sabia bater os braços sobreviveu e se tornou um herói, enquanto quem ganhava prêmios em competições de natação acabou se afogando... Chega a ser irônico!
Apenas depois de desabafar toda essa emoção, Marcelo se deu conta de que talvez tivesse falado demais.
— Me desculpe... Eu não deveria ter dito isso. De qualquer forma, o pai do Palmiro é o salvador do seu pai...
Ele temia profundamente que sua atitude pudesse ter causado uma má impressão em Deise.
Deise permaneceu em silêncio.
Por muito tempo, havia em sua mente um quebra-cabeça montado de forma errada, e ela nunca soubera como consertá-lo.
Agora, porém, ela se via capaz de desfazer as peças embaralhadas e reconstruir a imagem...
Até que revelasse sua verdadeira forma.
O silêncio reinou absoluto dentro do carro.
Aquela quietude de Deise deixava Marcelo completamente inseguro.
— ...Deise... Deise?
Foi preciso que Marcelo a chamasse várias vezes para que ela despertasse de seus devaneios.

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